domingo, 13 de abril de 2008

Campanhas de aids: alarmismo ou realidade?

Na semana passada teve início a IV Mostra de Cinema e Aids e a I Mostra de Filmes Publicitários e Aids. Organizada pelo Grupo Pela Vidda – SP, a mostra está em cartaz na sala 5 do Espaço Unibanco de Cinema, em São Paulo. Com uma série de filmes inéditos no Brasil, a mostra provoca uma reflexão a cerca das campanhas publicitárias produzidas no país.

Há alguns anos, o peso da espera pelo resultado de um teste anti-HIV foi tema de uma das campanhas produzidas pelo Ministério da Saúde. Na peça, um rapaz carrega um piano de cauda. Em outra campanha polêmica, a cantora Kelly Key comprava preservativos em uma farmácia. Os dois filmes foram rechaçados pela sociedade civil organizada que luta contra a aids no Brasil.

Somos um dos poucos países do mundo que produzem campanhas light de prevenção à aids. Apesar de elogiada por alguns, a campanha francesa que mostramos aqui, da ONG francesa Sidaction é um exemplo de como a aids é mostrada em outros países. O filme mostra uma orgia dentro de uma ampulheta. Nela, as pessoas fazem sexo desprotegido e corpos caem desfalecidos da parte de cima do marcador de tempo artesanal.

A sociedade civil brasileira é contra campanhas alarmistas. É que a grande maioria das pessoas que atuam na luta contra a aids no Brasil é da geração que viu Cazuza cadavérico, exposto na capa da Veja.

Está disponível no You Tube, uma campanha que mostra o flagelo de uma droga muito usada nas baladas norte-americanas. Tal como o crack, o Crystal Meth acaba com a pessoa em pouco tempo. Algumas dessas campanhas mostram o antes e o depois do uso da droga. Algumas dessas campanhas são de organizações da sociedade civil norte-americana que apelam para o tom alarmista na tentativa de conscientizar as pessoas não apenas sobre os efeitos físicos da droga, mas de seus efeitos psicológicos e do risco a que essas pessoas colocam suas vidas.

A professora de comunicação Wildney Feres Contrera disse na abertura da IV Mostra de Cinema e Aids que as campanhas têm de ser produzidas para a população, não para ativistas da luta contra a aids. Nesse sentido, o foco deve ser dirigido às pessoas que não viram o flagelo da aids anterior ao coquetel de medicamentos. Principalmente porque a maioria delas não conhece os efeitos físicos dos antiretrovirais.

E você, é a favor de campanhas mais light, ou de campanhas que mostram a realidade da aids? Responda a enquete ao lado ou dê sua opinião nos comentários abaixo.

Um comentário:

Paulo César disse...

Olá Paulo, eu acho que as campanhas tinham de ser mais realistas e menos lights. Deveriam mostrar para esta geração os efeitos colaterais que os antiretrovirais deixam no corpo da pessoa. Acredito que muitos pensariam duas vezes antes de não se prevenirem.Um abraço!