O Ministério da Saúde começou a escolher, nesta semana, dois casais sorodiscordantes para protagonizarem a campanha “Viver com AIDS é possível. Com o preconceito não.” As frases-slogan vão apresentar as peças publicitárias que serão produzidas em alusão ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, no próximo dia 1º de dezembro de 2009.
A campanha vai abordar o preconceito que grande parte da sociedade brasileira ainda nutre pelas pessoas soropositivas para o HIV. O que parece contradição diante dos resultados de pesquisas que mostram que a maioria das pessoas sabem como se pega e como não se pega AIDS e que o uso de preservativo é ainda o único método seguro para se ter uma vida sexual ativa sem enfrentar o risco de se infectar com o vírus.
Para combater o preconceito, as peças da campanha usarão imagens de beijos, símbolo de amor e amizade, que no campo da Aids assume outras conotações. Segundo explicação no texto divulgado nesta semana pela Unidade de Articulação com a Sociedade Civil e Direitos Humanos (SCDH) do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, “o beijo mostra que não se transmite o HIV dessa forma, que pessoas que vivem com HIV/aids podem e devem se relacionar, que a solidariedade precisa ser praticada”.
Preconceito é uma ideia, sentimento ou opinião, favorável ou desfavorável, (pré)concebido sem exame crítico. A discriminação decorrente do preconceito é todo ato de exclusão, de situar alguém ou alguma coisa à margem. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “tratar mal ou de modo injusto, desigual, um indivíduo ou grupo de indivíduos, em razão de alguma característica pessoal, raça, etnia, classe social, convicções etc.”.
Segundo a SCDH, o slogan da campanha “exige que a criação dos materiais conte com personagens da vida real”. Por isso a seleção dos casais sorodiscordantes, aqueles nos quais um dos parceiros (as) sexuais é soropositivo (a) para o HIV. Eu mesmo ajudei a divulgar o recrutamento nas listas que participo porque acredito que a participação e o protagonismo das pessoas que vivem com HIV transmite credibilidade para mostrar que essa realidade é possível.
Para os fôlderes e cartazes que serão veiculados em trens e estações urbanos e de metrô em âmbito todo o Brasil, inclusive com vídeo produzido para exibição nos cinemas e na TV, serão selecionados três casais heterossexuais e para a gravação do vídeo e servirem de modelos nos outros materiais. Também serão selecionados dois casais homossexuais para a produção de outro material gráfico, dirigidos especificamente para homossexuais masculinos, com veiculação restrita. Entre as opções de casais, apenas um casal heterossexual será escolhido para protagonizar a campanha e outro homossexual para protagonizar as campanhas gráficas dirigidas.
A campanha tem forte inspiração no trabalho desenvolvido pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz, radicado em Nova York, que no último dia 20 de setembro reuniu cerca de mil pessoas vivendo e convivendo com HIV e AIDS em um ginásio de esportes de Guarulhos, cidade da região metropolitana de São Paulo, fotografadas com grandes cartões fotográficos formando enormes painéis que retratavam beijos entre pessoas sorodiscordantes (nas fotos desta postagem, de Magda Fernanda/ASCOM). Ainda que o trabalho tivesse por objetivo produzir uma obra para doação a um museu de arte brasileiro, ele também deve compor a campanha.
Até quinta-feira (22/10) os casais sorodiscordantes interessados que tivessem entre 27 e 45 anos e um tipo físico tipicamente brasileiro (mais para o moreno que para o loiro, branco e com olhos azuis) puderam enviar fotos para a Assessoria de Comunicação (ASCOM) do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais. Seria bem interessante que os casais escolhidos pudessem representar toda a faixa etária delimitada, principalmente a que está em torno dos 40 anos, não contemplada na campanha do “Clube dos Enta”, no ano passado.
sábado, 24 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
PVHA participam de campanha latino-americana sobre AIDS
A América Latina é o terceiro continente com as maiores incidência e prevalência de AIDS no planeta, só perdendo para África e Ásia, respectivamente. Por isso, uma parceria entre 13 emissoras de televisão de 13 países latino-americanos lançou nesta quarta-feira, 13 histórias de pessoas que vivem com HIV e AIDS (PVHA) no continente, com a campanha “Paixão pela Vida”.
Das 13 histórias contadas, três são de brasileiros: o ator Cazu Barroz, que vive com HIV há 20 anos e foi protagonista da Campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS do Ministério da Saúde em 2007, a dona de casa Jucimara Moreira e a educadora e atriz Cilene Sá. Todas as histórias têm o mesmo formato: vídeos de 30 segundos e de um minuto, além de spots para rádio.
No Brasil, “Paixão pela Vida” tem o apoio da Rede Globo de Televisão, uma das fundadoras da Iniciativa de Mídia Latino-Americana sobre AIDS (IMLAS, na sigla em espanhol). A iniciativa, criada em janeiro deste ano por uma coalizão das 13 maiores emissoras de radiodifusão na América Latina, tem apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundação Huésped, The Kaiser Family Foundation. Lançada fevereiro, a IMLAS tem por objetivos fortalecer e aumentar a efetividade da contribuição dos meios de comunicação, em resposta à AIDS, além de desenvolver uma resposta coordenada da mídia.
A campanha, que pretende fazer parte de uma resposta da América Latina ao HIV pode ser vista no site Paixão pela Vida, onde podem ser assistidos aos vídeos, acessadas as histórias pessoais, baixar wallpapers, jogar games online, buscar informações sobre o HIV e a AIDS e os locais para fazer o teste que detecta anticorpos para o HIV no sangue.
Assim como as emissoras de radiodifusão e os demais parceiros, esperamos que essa resposta latino-americana possa contribuir para diminuir a incidência de HIV na região.
Das 13 histórias contadas, três são de brasileiros: o ator Cazu Barroz, que vive com HIV há 20 anos e foi protagonista da Campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS do Ministério da Saúde em 2007, a dona de casa Jucimara Moreira e a educadora e atriz Cilene Sá. Todas as histórias têm o mesmo formato: vídeos de 30 segundos e de um minuto, além de spots para rádio.
No Brasil, “Paixão pela Vida” tem o apoio da Rede Globo de Televisão, uma das fundadoras da Iniciativa de Mídia Latino-Americana sobre AIDS (IMLAS, na sigla em espanhol). A iniciativa, criada em janeiro deste ano por uma coalizão das 13 maiores emissoras de radiodifusão na América Latina, tem apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundação Huésped, The Kaiser Family Foundation. Lançada fevereiro, a IMLAS tem por objetivos fortalecer e aumentar a efetividade da contribuição dos meios de comunicação, em resposta à AIDS, além de desenvolver uma resposta coordenada da mídia.
A campanha, que pretende fazer parte de uma resposta da América Latina ao HIV pode ser vista no site Paixão pela Vida, onde podem ser assistidos aos vídeos, acessadas as histórias pessoais, baixar wallpapers, jogar games online, buscar informações sobre o HIV e a AIDS e os locais para fazer o teste que detecta anticorpos para o HIV no sangue.
Assim como as emissoras de radiodifusão e os demais parceiros, esperamos que essa resposta latino-americana possa contribuir para diminuir a incidência de HIV na região.
domingo, 13 de setembro de 2009
Top 2 Saúde Pessoal: uma dedicatória
Talvez tenha sido relativamente fácil figurar entre os TOP 100 da categoria Saúde no Prêmio TOP BLOG. Afinal, apenas 332 blogs inscritos na categoria disputavam três subcategorias (pessoal, profissional, corporativo) com dois votos cada, o voto popular e do júri acadêmico. Mais que mero reconhecimento, foi um grande e valoroso incentivo.
Mas ter recebido o TOP 2 foi uma honra unida a uma enorme responsabilidade. Não apenas a devida ao corpo de jurados, mas aos amigos e amigas que incentivaram e continuam a incentivar. Por isso, quero agradecer, mais uma vez, e agora nominalmente àqueles e àquelas a quem devo esta credibilidade.
Primeiramente, à grande amiga de todas as horas, a jornalista Cristiana Couto. Especializada em gastronomia, iniciamos e terminamos juntos a graduação em jornalismo. Ela é autora do Seja bem vinho e, indiretamente, foi dela a “inspiração” que motivou a criação deste blog.
Também, à incentivadora acadêmica Cristina Câmara. Doutora em antropologia e mestre em sociologia, é autora do Cultura, Política e Gestão. Foi dela, por exemplo, o incentivo para escrever o trabalho “Blogosfera PositHIVa, uma experiência em rede”, apresentado na modalidade de multimídia no VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS, entre tantos outros empurrões.
Também quero nomear o Henrique Quintana, cujo heterônimo é autor do Blog do Tiago+, que com mais de 60 mil visitas e uma regularidade surpreendente fala de soropositividade, espiritualidade e comportamento. Não dá pra esquecer – jamais – de outra guerreira, a trans-oceânica, Maria Vital, autora do sensível, inteligente e ativista Tempo de Janela. Tiago e Mié são dois queridos. Volta e meia passam por aqui e deixam um comentário carinhoso.
Agradeço à Andrea Domanico, atualmente em temporada norte-americana na Universidade Johns Hopkins, mas nem por isso menos presente.
Ainda, à minha querida Naíme Silva, psicóloga, educadora e bruxa, autora do Nova Terra.
Ao casal Flavio Lenz e Gabriela Leite, agradeço imensa e profundamente pelo carinho, acolhida e generosidade. Ele, jornalista, autor e editor do jornal Beijo da Rua. Ela, fundadora da ONG Davida e criadora da grife Daspu.
Ainda, ao dr. Pedro Chequer, coordenador do escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e AIDS (UNAIDS) no Brasil, pelo apoio e reconhecimento.
E finalmente, agradeço a você que acompanha esta minha jornada já não tão solitária. A vocês todos aqui elencados, dedico este prêmio. Obrigado.
Mas ter recebido o TOP 2 foi uma honra unida a uma enorme responsabilidade. Não apenas a devida ao corpo de jurados, mas aos amigos e amigas que incentivaram e continuam a incentivar. Por isso, quero agradecer, mais uma vez, e agora nominalmente àqueles e àquelas a quem devo esta credibilidade.
Primeiramente, à grande amiga de todas as horas, a jornalista Cristiana Couto. Especializada em gastronomia, iniciamos e terminamos juntos a graduação em jornalismo. Ela é autora do Seja bem vinho e, indiretamente, foi dela a “inspiração” que motivou a criação deste blog.
Também, à incentivadora acadêmica Cristina Câmara. Doutora em antropologia e mestre em sociologia, é autora do Cultura, Política e Gestão. Foi dela, por exemplo, o incentivo para escrever o trabalho “Blogosfera PositHIVa, uma experiência em rede”, apresentado na modalidade de multimídia no VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS, entre tantos outros empurrões.
Também quero nomear o Henrique Quintana, cujo heterônimo é autor do Blog do Tiago+, que com mais de 60 mil visitas e uma regularidade surpreendente fala de soropositividade, espiritualidade e comportamento. Não dá pra esquecer – jamais – de outra guerreira, a trans-oceânica, Maria Vital, autora do sensível, inteligente e ativista Tempo de Janela. Tiago e Mié são dois queridos. Volta e meia passam por aqui e deixam um comentário carinhoso.
Agradeço à Andrea Domanico, atualmente em temporada norte-americana na Universidade Johns Hopkins, mas nem por isso menos presente.
Ainda, à minha querida Naíme Silva, psicóloga, educadora e bruxa, autora do Nova Terra.
Ao casal Flavio Lenz e Gabriela Leite, agradeço imensa e profundamente pelo carinho, acolhida e generosidade. Ele, jornalista, autor e editor do jornal Beijo da Rua. Ela, fundadora da ONG Davida e criadora da grife Daspu.
Ainda, ao dr. Pedro Chequer, coordenador do escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e AIDS (UNAIDS) no Brasil, pelo apoio e reconhecimento.
E finalmente, agradeço a você que acompanha esta minha jornada já não tão solitária. A vocês todos aqui elencados, dedico este prêmio. Obrigado.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Top 3, Brasil!
Se eu contasse, você não iria acreditar. Se você me contasse, EU não iria acreditar. Eis que recebo um e-mail do Top Blog, dizendo que estas SaudAids está entre os cem blogs - o Top 100 - inscritos na categoria Saúde / Pessoal. E mais, é um dos três escolhidos pelo júri acadêmico para o Top 3!!! É muita felicidade!!!

E um grande incentivo. É a prova que, mesmo rastejando -algumas vezes-, o blog consegue atingir o objetivo para o qual ele foi se moldando. É verdade. Construí este blog porque achei legal o blog de uma grande amiga. No começo, tinha um fundo preto e um amigo disse que dificultava a leitura, que fugia do padrão. Pestanejei, mas mudei. Ao longo do tempo - e do conteúdo nele inserido - o blog foi adquirindo personalidade própria. E é o que você lê.
Sei que não tenho dado a atenção que o blog merece (e a partir de agora, com o mestrado, talvez receba menos atenção ainda), mas é o que tenho conseguido postar. Aliás, prometo escrever neste feriado um post bem bacana, sobre uma campanha que usa uma determinada figura histórica para fazer prevenção à AIDS.
Tenha certeza que fico muito feliz quando tenho de responder a um comentário. Seja ele positivo ou negativo. A crítica é como um esmeril. Antecipadamente, quero agradecer às pessoas que votaram no blog. E no júri que o escolheu como um dos três melhores. O incentivo é maravilhoso! Mas, agradeço, principalmente, àquel@s leitor@s fiéis, que passam aqui apenas pra ler minha nova sandice. Obrigado!

E um grande incentivo. É a prova que, mesmo rastejando -algumas vezes-, o blog consegue atingir o objetivo para o qual ele foi se moldando. É verdade. Construí este blog porque achei legal o blog de uma grande amiga. No começo, tinha um fundo preto e um amigo disse que dificultava a leitura, que fugia do padrão. Pestanejei, mas mudei. Ao longo do tempo - e do conteúdo nele inserido - o blog foi adquirindo personalidade própria. E é o que você lê.
Sei que não tenho dado a atenção que o blog merece (e a partir de agora, com o mestrado, talvez receba menos atenção ainda), mas é o que tenho conseguido postar. Aliás, prometo escrever neste feriado um post bem bacana, sobre uma campanha que usa uma determinada figura histórica para fazer prevenção à AIDS.
Tenha certeza que fico muito feliz quando tenho de responder a um comentário. Seja ele positivo ou negativo. A crítica é como um esmeril. Antecipadamente, quero agradecer às pessoas que votaram no blog. E no júri que o escolheu como um dos três melhores. O incentivo é maravilhoso! Mas, agradeço, principalmente, àquel@s leitor@s fiéis, que passam aqui apenas pra ler minha nova sandice. Obrigado!
domingo, 30 de agosto de 2009
Um prêmio cheio de carinho e afeto
Acordo, ligo o computador e faço meu café. Bebo o líquido negro e despertador lendo o comentário que Maria Vital, do blogue Tempo de Janela deixou no post anterior. Com o comentário, fico sabendo que ela me concedeu o prêmio "Comprometidos y Más 2009" (comprometidos e mais).
Este prêmio foi concebido para assinalar blogues comprometidos culturalmente, politicamente, socialmente..., por isso devo nomear cinco blogues que na minha perspectiva reúnam os requisitos nele assinalados.

Sendo assim nomeio os seguintes blogues:
Blog do Tiago+
Com camisinha
Diário HIV Vida
Sieropositiva
Cultura, Política e Gestão.
Este prêmio foi concebido para assinalar blogues comprometidos culturalmente, politicamente, socialmente..., por isso devo nomear cinco blogues que na minha perspectiva reúnam os requisitos nele assinalados.

Sendo assim nomeio os seguintes blogues:
Blog do Tiago+
Com camisinha
Diário HIV Vida
Sieropositiva
Cultura, Política e Gestão.
sábado, 29 de agosto de 2009
RNP+ Brasil reinventa ativismo na Paraíba
Simoni e Elifrank são soropositivos para o HIV. Ela do centro-oeste e ele do nordeste do país, eles se conheceram durante o II Encontro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+ Brasil), realizado em agosto de 2007 na cidade de Manaus. Alguns meses depois ele deixou a capital amazonense Manaus rumo a Cuiabá, onde ela vivia e estão juntos desde então.
Elifrank e Simoni decidiram celebrar esta união durante o III Encontro da RNP+ Brasil, realizado de 18 a 21 de agosto de 2009 em Campina Grande, na Paraíba, ao lado de seus pares – no caso, outras 250 pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Na cerimônia simbólica, o secretário nacional da rede “abençoou” o casal. E um integrante do Distrito Federal leu algumas passagens bíblicas. Teve beijo e bolo de verdade e bênção de mentirinha. Os noivos tiveram padrinhos e madrinhas de todas as regiões do Brasil.
Apesar do incômodo, percebi a ação afirmativa no ato cerimonial. Um homem e uma mulher soropositivos que se entregam novamente ao impulso, ao desejo, à paixão e ao amor; juntam seus caminhos e seguem unidos pela vida, porque acreditam nela. É verdade que aumentou a expectativa de vida depois de mais de 25 anos, beirando a terceira década da epidemia de AIDS no mundo e por isso fazemos planos para o futuro.
Eu mesmo, 21 anos depois de diagnosticado positivo para o HIV, e há 17 anos fazendo uso de medicamentos antirretrovirais, passei em terceiro lugar num mestrado e estou mudando de cidade para fazer o curso. Aumentou a expectativa de vida porque aumentou nossa qualidade de vida. Simoni e Elifrank celebraram a vida.
Embora a cerimônia do casal tenha sido a primeira notícia recente, um dia antes do início do evento, o III Encontro Nacional da RNP+ Brasil, que teve por tema a frase “Celebrando a Rede, Revendo as Conquistas e Reinventando o Ativismo”, foi melhor que o segundo e que o primeiro encontro juntos em qualidade de discussões, debates, proposições, capacitação e resolução. A principal delas foi a mudança de metodologia. Ao invés de centenas de propostas para o legislativo, executivo e judiciário, apenas um documento político, intitulado Carta de Campina Grande, com reflexões voltadas mais para o processo interno da RNP+ Brasil do que para os contextos e as conjunturas externas, ainda que também as contenha.
Aprovada no mérito, a Carta de Campina Grande será construída a partir das relatorias e dos vídeos gravados dos quatro (“rumos”, “seguridade social, políticas públicas e controle social”, “direitos humanos” e “relações e políticas internacionais”) eixos (mesas expositivas seguidas de debate e grupos de discussão e trabalho), e das oficinas (“vacinas anti-HIV”, “casas de apoio” e “co-infecção tuberculose + HIV”) capacitadoras. O documento trará uma firme oposição da RNP+ Brasil à criminalização pela transmissão do HIV, a necessidade de revisão da legislação que regulamenta as casas de apoio às pessoas doentes de AIDS e a dificuldade de acesso à elaboração, implementação e fiscalização das metas e dos recursos financeiros dos Planos de Ações e Metas (PAM) de alguns estados e municípios diametralmente oposta à credibilidade que a RNP+ Brasil tem em outros estados, municípios e no âmbito federal.
Internamente, a carta apontará a dificuldade de comunicação interna e vai levantar a necessidade de capacitações à distância e por meio dos grupos de trabalho (GT) criados: GT Criminalização, GT Política de Drogas, GT Trans+ e GT de Seguridade Social. Também vai pincelar questões sobre direitos e deveres das PVHA, cuja carta de direitos fundamentais das pessoas vivendo com HIV/AIDS faz 20 anos, além de outros pontos não menos importantes.
Finalmente, elegemos nossas representações nacionais na Comissão Nacional de DST e AIDS (CNAIDS), para a Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS) e Comitê de Vacinas, instâncias do Departamento de DST/AIDS do Ministério da Saúde; definimos representantes para o Grupo Temático ampliado do UNAIDS no Brasil (GT UNAIDS) e para a REDLA+ (Rede Latino-americana de PVHA) e fizemos nossa indicação para o representante do movimento brasileiro de luta contra a AIDS no Conselho Nacional de Saúde, a ser referendado em novembro, em encontro de ONG/Aids de todo Brasil no Rio de Janeiro.
Além das questões políticas, é bom encontrar nossos pares, conhecidos, amigos e pessoas a quem nutrimos grande carinho. É bom rever pessoas como a gente, que apesar de viver com HIV, continuam sendo parte da solução e não o problema da epidemia de AIDS no mundo. Até 2011, em São Paulo. E viva a vida!
Publicado originalmente no site gay.com.br
Elifrank e Simoni decidiram celebrar esta união durante o III Encontro da RNP+ Brasil, realizado de 18 a 21 de agosto de 2009 em Campina Grande, na Paraíba, ao lado de seus pares – no caso, outras 250 pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Na cerimônia simbólica, o secretário nacional da rede “abençoou” o casal. E um integrante do Distrito Federal leu algumas passagens bíblicas. Teve beijo e bolo de verdade e bênção de mentirinha. Os noivos tiveram padrinhos e madrinhas de todas as regiões do Brasil.
Apesar do incômodo, percebi a ação afirmativa no ato cerimonial. Um homem e uma mulher soropositivos que se entregam novamente ao impulso, ao desejo, à paixão e ao amor; juntam seus caminhos e seguem unidos pela vida, porque acreditam nela. É verdade que aumentou a expectativa de vida depois de mais de 25 anos, beirando a terceira década da epidemia de AIDS no mundo e por isso fazemos planos para o futuro.
Eu mesmo, 21 anos depois de diagnosticado positivo para o HIV, e há 17 anos fazendo uso de medicamentos antirretrovirais, passei em terceiro lugar num mestrado e estou mudando de cidade para fazer o curso. Aumentou a expectativa de vida porque aumentou nossa qualidade de vida. Simoni e Elifrank celebraram a vida.
Embora a cerimônia do casal tenha sido a primeira notícia recente, um dia antes do início do evento, o III Encontro Nacional da RNP+ Brasil, que teve por tema a frase “Celebrando a Rede, Revendo as Conquistas e Reinventando o Ativismo”, foi melhor que o segundo e que o primeiro encontro juntos em qualidade de discussões, debates, proposições, capacitação e resolução. A principal delas foi a mudança de metodologia. Ao invés de centenas de propostas para o legislativo, executivo e judiciário, apenas um documento político, intitulado Carta de Campina Grande, com reflexões voltadas mais para o processo interno da RNP+ Brasil do que para os contextos e as conjunturas externas, ainda que também as contenha.
Aprovada no mérito, a Carta de Campina Grande será construída a partir das relatorias e dos vídeos gravados dos quatro (“rumos”, “seguridade social, políticas públicas e controle social”, “direitos humanos” e “relações e políticas internacionais”) eixos (mesas expositivas seguidas de debate e grupos de discussão e trabalho), e das oficinas (“vacinas anti-HIV”, “casas de apoio” e “co-infecção tuberculose + HIV”) capacitadoras. O documento trará uma firme oposição da RNP+ Brasil à criminalização pela transmissão do HIV, a necessidade de revisão da legislação que regulamenta as casas de apoio às pessoas doentes de AIDS e a dificuldade de acesso à elaboração, implementação e fiscalização das metas e dos recursos financeiros dos Planos de Ações e Metas (PAM) de alguns estados e municípios diametralmente oposta à credibilidade que a RNP+ Brasil tem em outros estados, municípios e no âmbito federal.
Internamente, a carta apontará a dificuldade de comunicação interna e vai levantar a necessidade de capacitações à distância e por meio dos grupos de trabalho (GT) criados: GT Criminalização, GT Política de Drogas, GT Trans+ e GT de Seguridade Social. Também vai pincelar questões sobre direitos e deveres das PVHA, cuja carta de direitos fundamentais das pessoas vivendo com HIV/AIDS faz 20 anos, além de outros pontos não menos importantes.
Finalmente, elegemos nossas representações nacionais na Comissão Nacional de DST e AIDS (CNAIDS), para a Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS) e Comitê de Vacinas, instâncias do Departamento de DST/AIDS do Ministério da Saúde; definimos representantes para o Grupo Temático ampliado do UNAIDS no Brasil (GT UNAIDS) e para a REDLA+ (Rede Latino-americana de PVHA) e fizemos nossa indicação para o representante do movimento brasileiro de luta contra a AIDS no Conselho Nacional de Saúde, a ser referendado em novembro, em encontro de ONG/Aids de todo Brasil no Rio de Janeiro.
Além das questões políticas, é bom encontrar nossos pares, conhecidos, amigos e pessoas a quem nutrimos grande carinho. É bom rever pessoas como a gente, que apesar de viver com HIV, continuam sendo parte da solução e não o problema da epidemia de AIDS no mundo. Até 2011, em São Paulo. E viva a vida!
Publicado originalmente no site gay.com.br
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Saúde usa internet para prevenir a Aids
Twitter, redes sociais como Orkut e Facebook, divulgação maciça na internet. Esta é a estratégia do Ministério da Saúde para combater o HIV, vírus que provoca a Aids.
Em dezembro de 2007, uma das estratégias da campanha “Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids” foi o lançamento de um blog, já tirado do ar. A campanha, que se propunha a sensibilizar pessoas da faixa etária dos 13 aos 24 anos, contava com outras estratégias de mídia além da veiculação de spots no rádio e de filmes publicitários na TV para atingir seus objetivos.
Desde a semana passada, o ministério vem trabalhando incansavelmente nas comunidades “Atitude contra a AIDS” no Orkut e no Facebook. ideia surgida a partir dos resultados da Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas 2008 (PCAP), que mostrou que 10,5% dos jovens já tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceram na internet.
“Antes as pessoas se relacionavam com seus vizinhos, amigos da escola, parceiros de trabalho, em círculos mais restritos. A internet abriu novas possibilidades de encontros”, afirmou a diretora do Departamento de DST e Aids, Mariângela Simão, quando da divulgação dos dados da PCAP.
O estudo sobre comportamento sexual mostrou que 61% dos jovens de 15 a 24 anos usaram camisinha na primeira relação sexual. Depois dela, porém, o uso cai – 50% das pessoas nessa faixa etária usam preservativo com os parceiros casuais. A redução mostra que, quando se estabelece uma relação de confiança entre os jovens, o preservativo deixa de ser prioridade. Por isso – afirma Mariângela Simão – é necessário usar novas formas de comunicação para tornar a mensagem sobre prevenção uma constante na vida do jovem.
Até duas semanas atrás, o ministério usava dois perfis distintos no Twitter. Um deles era exclusivo para divulgar dados e responder a dúvidas sobre a Gripe A, provocada pelo vírus H1N1. No outro perfil, a divulgação sobre o HIV, vírus que provoca a Aids. Os perfis foram unificados e o Ministério da Saúde pode ser acessado em um único no Twitter.
Cadastrados com perfil no Orkut podem acessar a comunidade “Atitude contra a Aids” aqui, que já tem 285 participantes. E no Facebook, aqui, com 313 fãs.
Além das comunidades no Orkut e no Facebook, estão previstos novos espaços direcionados para jovens no portal oficial do governo federal sobre Aids mantido na internet, além de uma atuação mais forte em páginas direcionadas a públicos específicos, como os gays.
Em dezembro de 2007, uma das estratégias da campanha “Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids” foi o lançamento de um blog, já tirado do ar. A campanha, que se propunha a sensibilizar pessoas da faixa etária dos 13 aos 24 anos, contava com outras estratégias de mídia além da veiculação de spots no rádio e de filmes publicitários na TV para atingir seus objetivos.
Desde a semana passada, o ministério vem trabalhando incansavelmente nas comunidades “Atitude contra a AIDS” no Orkut e no Facebook. ideia surgida a partir dos resultados da Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas 2008 (PCAP), que mostrou que 10,5% dos jovens já tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceram na internet.
“Antes as pessoas se relacionavam com seus vizinhos, amigos da escola, parceiros de trabalho, em círculos mais restritos. A internet abriu novas possibilidades de encontros”, afirmou a diretora do Departamento de DST e Aids, Mariângela Simão, quando da divulgação dos dados da PCAP.
O estudo sobre comportamento sexual mostrou que 61% dos jovens de 15 a 24 anos usaram camisinha na primeira relação sexual. Depois dela, porém, o uso cai – 50% das pessoas nessa faixa etária usam preservativo com os parceiros casuais. A redução mostra que, quando se estabelece uma relação de confiança entre os jovens, o preservativo deixa de ser prioridade. Por isso – afirma Mariângela Simão – é necessário usar novas formas de comunicação para tornar a mensagem sobre prevenção uma constante na vida do jovem.
Até duas semanas atrás, o ministério usava dois perfis distintos no Twitter. Um deles era exclusivo para divulgar dados e responder a dúvidas sobre a Gripe A, provocada pelo vírus H1N1. No outro perfil, a divulgação sobre o HIV, vírus que provoca a Aids. Os perfis foram unificados e o Ministério da Saúde pode ser acessado em um único no Twitter.
Cadastrados com perfil no Orkut podem acessar a comunidade “Atitude contra a Aids” aqui, que já tem 285 participantes. E no Facebook, aqui, com 313 fãs.
Além das comunidades no Orkut e no Facebook, estão previstos novos espaços direcionados para jovens no portal oficial do governo federal sobre Aids mantido na internet, além de uma atuação mais forte em páginas direcionadas a públicos específicos, como os gays.
sábado, 25 de julho de 2009
O lacinho vermelho
hoje sou só um lacinho vermelhome rindo
me gozando
me bastando
hoje ainda sou um lacinho vermelho
de camisinha
te dizendo coisas sem sentido
hoje sou seu lacinho vermelho
sem camisinha
amanhã um lacinho vermelho
desbotado
esquecido
Simplesmente lindos os versos de Tetê no Com Camisinha.
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