terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Entre as ações e o campanhismo

Em continuidade à Campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS de 2008, que teve como foco a prevenção do HIV em homens heterossexuais com mais de 50 anos e no “Clube dos Enta”, seu apelo central, o Programa Nacional (PN) de DST e AIDS dará prioridade à população feminina na mesma faixa etária e lançará no carnaval de 2009 o “Bloco da Mulher Madura”.

Nota publicada na página do PN-DST/AIDS informa que “a campanha é uma resposta à maior tendência de crescimento da epidemia entre mulheres. Além disso, a mulher nessa idade tem pouco poder de decisão no relacionamento”.

Ainda segundo a nota, os objetivos da campanha são incentivar a mulher a falar de sexualidade e preservativo com seu parceiro sexual, informar sobre as vantagens do uso do gel lubrificante na faixa etária eleita, estimular a busca do prazer na relação, inclusive após a menopausa, e fortalecer a auto-estima feminina para que a mulher possa exercer sua sexualidade.

A justificativa do foco foi embasada nos dados epidemiológicos, que mostram quase o dobro de casos de AIDS na faixa etária e na população priorizada em dez anos (de 7,3 em 96 para 14,5 em 2006) e um significativo aumento de mortalidade (de 5,5 para 6,1) no mesmo período.

Desde o último dia 30 de janeiro, as artes dos materiais gráficos (folheto, cartaz e mobiliário urbano) produzidos pelo Ministério da Saúde são disponibilizadas a estados e municípios brasileiros se solicitadas por correio eletrônico. Além destes, também foram produzidos uma peça publicitária para a TV e outra para o rádio.

O Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo ampliou o foco das ações na cidade. É a população sexualmente ativa que deve ser priorizada, além das mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas e profissionais do sexo. Concordo, afinal não é a mulher quem usa o preservativo, ainda que elas sejam mais sensíveis às questões de saúde sexual do que os homens.

Além das já tradicionais ações de prevenção na rodoviária do Tietê protagonizada pelo Grupo Pela Vidda/SP – apenas apoiada pelo município –, da distribuição de preservativos no sambódromo do Anhembi e nos blocos pré-carnavalescos que tomam a cidade na semana anterior aos festejos de Momo, o programa paulistano tem feito ações em escolas de samba e, no ano passado “invadiu” as torcidas dos três maiores times de futebol da cidade durante seus jogos.

Com mais esta ação, o programa de São Paulo reforça a disposição de atuar na prevenção do HIV em campo que amplia as ações para além das populações com maior vulnerabilidade e mostra que tem paulatinamente incorporado sugestões da sociedade civil para a realização de ações mais periódicas, fugindo da crítica generalizada aos gestores de AIDS no Brasil que privilegiam apenas a produção de campanhas publicitárias para o carnaval e para o Dia Mundial.

Se tivesse poder de decisão, de consulta ou de interferência, teria dito aos idealizadores do “Bloco da Mulher Madura” que é o homem quem precisa ser sensibilizado. Preferencialmente por outro homem, heterossexual e vivendo com HIV. A conversa tem de ser de homem pra homem. Estou sendo machista? Talvez. Mas sinto que não se pode adotar um discurso diferente do que está no inconsciente coletivo. Enfim, o meu é apenas um ponto de vista.

2 comentários:

Júlio disse...

Realmente é a pura verdade, tem que sensibilizar o homem e para isto um homeme hétero da faixa dos que contraiu a aids falar francamente com eles. Aí vai causar um impacto neles, pois se identificarão no imaginário coletivo que poderia ser eles.
Acho que voc~e conseguirá convencer eles a adotarem esta modalidade de campanha.

Abraços!

Lúcio disse...

corrigindo:Concordo com sua visão. Realmente é a pura verdade, tem de sensibilizar é o homem. E para isto um homem hétero da faixa dos enta, que contraiu a aids falar francamente com eles.

Só assim vai causar um impacto neles, pois se identificarão no imaginário coletivo que poderia ser um deles.

Acho que você conseguirá convencer a equipe a adotarem esta modalidade de campanha. Tomara!!

Abraços!