domingo, 24 de março de 2013

Dúvida sobre AIDS tem resposta nas redes sociais



Dúvidas sobre HIV, AIDS, outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) e hepatites virais têm agora um canal oficial para esclarecimento. Ou melhor, vários canais. No Facebook, Twitter, Instagram, Google+, YouTube ou em outras redes sociais online, internautas têm acesso a informações sobre o que são DST, HIV, AIDS e hepatites, como preveni-las, onde fazer o exame para diagnóstico ou quando iniciar o tratamento. Os perfis estão vinculados à página do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (D-DST/AIDS/HV) do Ministério da Saúde (MS).

O objetivo é ampliar o acesso à informação, aproximando o MS de 55 milhões de usuários das redes sociais online no Brasil. Segundo o MS, as novas páginas “permitirão identificar as principais demandas por informação das populações em situação de maior vulnerabilidade”.

Desde dezembro não tenho respondido mais às perguntas aqui no blog. Foi em abril de 2008 que, vendo como internautas chegavam aqui que fiz um post e respondi pelo menos a uma centena de dúvidas sobre HIV/AIDS. Ultimamente não tenho me sentido capaz de responder seja porque a dúvida é muito específica ou porque a resposta seja a mesma: faça o teste.

O conteúdo dos novos perfis é formado por imagens, vídeos, textos e notícias sobre AIDS. A estratégia do D-DST/AIDS/HV do MS, que pretende fazer “do acesso à informação uma importante ferramenta da Saúde”, precisa se despojar um pouco para acessar a população mais vulnerável.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Nota de repúdio conjunta das redes de pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados

Nós, pessoas vivendo com HIV e AIDS no Brasil, neste instrumento representadas pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil), pelo Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), e pela Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA), que juntas formam o Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS,

CONSIDERANDO as declarações de rancor, ódio e falta de conhecimento relacionados às pessoas negras, à comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), às pessoas vivendo com HIV e AIDS (PVHA) no Brasil, bem como às pessoas indígenas brasileiras e a religiões de origem afro-brasileiras, proferidas pelo pastor-deputado Marco Feliciano, do Partido Social Cristão (PSC-SP), indicado para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias desta Casa Legislativa;

CONSIDERANDO que o Estado Democrático é laico e as ações dos poderes constituídos devem ser embasadas no Direito;

CONSIDERANDO a luta histórica da sociedade brasileira pelos Direitos Humanos das minorias e das populações marginalizadas;

CONSIDERANDO que não há privilégios da população LGBT brasileira; e

CONSIDERANDO que a Síndrome de Imunodeficiência Humana (Sida/AIDS) não é uma doença que afeta exclusivamente à população homossexual masculina, mas também outras populações marginalizadas em seus direitos humanos e civis, afetando crescentemente a população heterossexual,

Vimos pela presente manifestação, REPUDIAR veementemente a indicação, pelo PSC, e a aceitação, tanto pela referida CDHM, quanto pela mesa diretora desta casa legislativa que seja entregue ao pastor deputado Marco Feliciano esta Comissão tão importante e cara à população brasileira.

Sem mais,

Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil)
Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP)
Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA)

À
Comissão de Direitos Humanos e Minorias
Câmara dos Deputados
Brasília – DF

c/c Frente Parlamentar de HIV/AIDS da Câmara dos Deputados
c/c Mesa diretora da Câmara dos Deputados

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

LIVING 2012 apela a líderes mundiais pela proteção das PVHA

Dias antes da 19ª Conferência Internacional de AIDS começar em Washington, D.C., diversas outras pré-conferências foram realizadas. Uma delas foi o LIVING 2012, evento que reuniu pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) de 85 países. Ao final, as PVHA participantes apelaram aos líderes mundiais para aumentar o acesso ao tratamento de qualidade, proteger e promover os direitos das pessoas vivendo com HIV, envolvendo-as na expansão da resposta à epidemia.

Em LIVING 2012 as PVHA também apelaram à comunidade de pessoas que vivem com HIV para incluírem em seu ativismo e liderança a capacidade de efetivamente atender as necessidades de todas as pessoas vivendo com HIV/AIDS, especialmente jovens, mulheres e membros das populações-chave, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas.

“LIVING 2012 foi uma oportunidade incrível para as pessoas que vivem com HIV discutirem as questões mais importantes para todos nós”, disse Kevin Moody, presidente da Rede Global de Pessoas Vivendo com HIV (GNP +). “Essas reuniões globais são essenciais para determinar o terreno comum entre as pessoas que vivem com HIV e para definir como a resposta ao HIV pode ser mais eficaz, eficiente e inclusiva”, refletiu.

Os debates centraram-se em três áreas de interesse para as PVHA: acesso ao tratamento, prevenção, cuidados e apoio; Direitos Humanos, e Desenvolvimento da Comunidade e Ativismo. Em torno desses temas, as PVHA pediram leis de proteção a ser implementadas, executadas e monitoradas por todas as nações. A proteção aos direitos humanos deve incluir a igualdade para as mulheres, os homens que fazem sexo com homens e as populações LGBT, pessoas profissionais do sexo e pessoas que usam drogas. Houve consenso de que o estigma e a discriminação, em particular a criminalização do HIV, violam a dignidade humana e impedem a resposta ao HIV em todos os níveis.

As PVHA participantes de LIVING 2012 relataram diferentes experiências relacionadas ao acesso ao tratamento, prevenção, cuidados e apoio. No entanto, houve uma forte concordância que o acesso ao tratamento de qualidade e prevenção deve estar disponível para todas as pessoas, inclusive de todas as populações mais vulneráveis. Este acesso só pode ser realizado de forma eficaz quando acontece sob a égide de Saúde Positiva, Dignidade e Prevenção.

Embora os efeitos preventivos do tratamento de qualidade sejam uma excelente oportunidade para se evitar novas infecções, não houve consenso sobre o tema devido às preocupações com a falta de evidência científica para a eficácia do tratamento precoce. Envolvidas ainda questões sobre possíveis violações aos direitos humanos, além da necessidade de concentrar, em primeiro lugar, o acesso ao tratamento com base nas necessidades médicas das pessoas que vivem com HIV.

Participantes LIVING2012 apresentaram essas mensagens para discussão em AIDS 2012 destacando as necessidades reais das PVHA durante os workshops e outras sessões. Além disso levaram de volta a suas comunidades esta experiência de aprendizagem combinadas a mensagens de advocacy.

LIVING 2012, 13ª Conferência Internacional de Pessoas que Vivem com HIV, foi organizado pela Rede Global de Pessoas Vivendo com HIV (GNP+). Sabia mais em www.living2012.org.

Participei de AIDS 2012 por indicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil) para compor a delegação oficial brasileira, com recursos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Brazil: do the homework!


Ativistas brasileiros: the dream is over!
“Brasil, faça a lição de casa!” Foi com esta frase que ativistas brasileiros deixaram a manifestação na frente do estande oficial do Brasil, em AIDS 2012 e se dirigiram à sala de imprensa. Foi a primeira manifestação do movimento social que invadiu o “media center”. Atrás de nós vieram os redutores de danos e uma ONG indiana, que protestava contra o acordo de medicamentos que a Índia está fechando com a União Europeia e que vai dificultar a produção de medicamentos genéricos no país.

Mas, voltando ao Brasil, todas as pessoas do movimento social brasileiro presentes à conferência internacional de AIDS, em Washington, D.C., estavam na manifestação. Eu, que fiquei responsável apenas por fazer algumas fotos não resisti e, como meus companheiros de ativismo, amarramos nossas bocas com uma fita vermelha com a palavra “danger” (perigo) e interrompemos a apresentação de samba empunhando cartazes com frases que denunciaram a situação da epidemia de AIDS no país, cerca de 10h30 em DC (11h30 em Brasília).

A fita foi a estratégia que usamos para não nos confundirmos com o inglês, além de denunciar a censura que temos sofrido e os critérios estritamente políticos de aprovação de alguns projetos da sociedade civil. E Jorge Beloqui e Alessandra Nilo tomaram o microfone e deram nosso recado, enquanto um de nós usava a mesma fita para isolar o estande brasileiro. O recado: o governo tem sufocado o movimento social, dificultando o controle social. O melhor programa de AIDS do mundo morreu e está matando a sociedade civil brasileira. O governo da presidente Dilma tem sistematicamente se dobrado aos evangélicos, censurando a campanha de carnaval e o kit anti-homofobia. ONG estão fechando as portas etc., etc., etc.

Hoje, o governo dos Estados Unidos fará uma doação de US$ 2 milhões a um novo fundo, criado para ações de combate à AIDS. Há dois dias, integrantes do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde têm questionado os ativistas presentes em Washington perguntando se são mais bem-vindos os US$ 2 milhões de Hillary Clinton ou os R$ 7 milhões lançados em editais. Perguntaram a mim e a dois outros ativistas. Pensam que não sabemos fazer contas. Dos R$ 7 milhões (que representam cerca de US$ 3,5 milhões), parte é para o edital de fóruns e redes recém-lançado, cujo montante deve ser utilizado em dois anos. Qual é a diferença?

Além disso, os EUA têm uma cultura de doações de pessoas físicas e jurídicas. Na Marcha sobre Washington, há dois dias, quando chegamos aos jardins da Casa Branca, logo chegaram pacotes e mais pacotes de garrafas de água. Também foi passada uma bandeira de Washington, onde as pessoas punham dinheiro. Faça-se isso no Brasil e veja o quanto se recolhe.

A algumas pessoas, o Departamento de AIDS tem dito que o trabalho das ONG deveria ser voluntário. Mais? Quem sobrevive com R$ 1.500 de coordenação de um projeto para ser executado por dois anos com uma carga de 40 horas semanais? Sem recolhimento de INSS, FGTS, IRPF: ou seria melhor chamar isso de semiescravidão? Brasil, mostra sua cara, diga-nos quem paga pra assassinar paulatinamente o melhor programa de AIDS do mundo. Brasil, mostra sua cara, faça a lição de casa para voltar a ser o melhor programa de AIDS do mundo, com a participação e cooperação da sociedade civil.

Participo de AIDS 2012 por indicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil) para compor a delegação oficial brasileira, com recursos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Hillary dá a deixa e ativistas marcham sobre DC


Hillary fala à AIDS 2012 (Ryan Rayburn/IAS)
Certamente por motivos de segurança, Hillary Clinton não foi anunciada. Mas foi ovacionada quando chegou à plenária desta segunda-feira da AIDS 2012. Diante dos aplausos, a secretária de Estado norte-americano disse, brincando, que não seria possível uma haver uma conferência internacional de AIDS sem manifestações da sociedade civil.

A brincadeira de Hillary parece ter sido a deixa para as diversas manifestações realizadas a partir do meio-dia desta terça-feira, por toda a cidade, que literalmente pararam a capital dos EUA. As cinco manifestações encontraram-se em frente aos jardins da Casa Branca e basicamente pediam mais recursos financeiros para a luta contra a epidemia. Não apenas para as pesquisas básicas, mas para a sociedade civil.

Mas, voltando à aplaudidíssima secretária de Estado, Hillary disse que estava naquela sessão para anunciar uma meta. “Mas antes disso deixem-me dizer cinco palavras que por muito tempo não fomos capazes de dizer: bem-vindos aos Estados Unidos da América. Estamos satisfeitos em finalmente tê-los aqui conosco novamente”, disse, referindo-se às restrições à entrada de pessoas soropositivas nos EUA, retiradas em 2010.

A secretária de Estado não falou apenas à audiência da primeira sessão plenária da AIDS 2012, mas, principalmente, aos ativistas norte-americanos que vêm criticando o governo de Barack Obama por não ter incluído no orçamento de 2013 recursos para o PEPFAR (o programa do presidente para o combate à AIDS). “PEPFAR está mudando emergencialmente para que possamos construir sistemas de saúde sustentáveis, que irão nos ajudar a finalmente ganhar essa luta para ter uma geração sem AIDS. Quando o presidente Obama tomou posse, nós sabíamos que se quiséssemos vencer a luta contra a AIDS não podíamos continuar a tratá-la como uma emergência. Tivemos que mudar fundamentalmente a maneira, como nossos parceiros globais fizeram.”

Apesar de não ter citado as populações mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como homens que fazem sexo com homens, negros, latinos e transexuais, Hillary falou principalmente das mulheres, pois seu propósito ali era anunciar um adicional de US$ 80 milhões para a prevenção vertical do HIV. “Estamos empenhados em erradicar a transmissão do HIV da mãe para a criança até 2015. Já investimos mais de US$ 1 bilhão para esta meta ao longo dos anos. Acessamos mais de 370 mil mulheres no mundo no primeiro semestre deste ano fiscal e esperamos acessar mais 1,5 milhões de mulheres até o próximo ano”, anunciou a secretária de Estado, acrescentando “toda mulher deve ser capaz de decidir quando e se quer ter filhos. Isto é verdade se ela é HIV-positiva ou não. E eu concordo com a forte mensagem da Cúpula de Londres sobre Planejamento Familiar no início deste mês. Não deve haver controvérsia sobre isso. Nenhuma”. O discurso em inglês de Hillary, na íntegra, pode ser acessado na página da secretaria de Estado norte-americano, bem como o vídeo de seu pronunciamento.

Hoje, parece que a marcha sobre Washington foi para lembrar, não apenas aos EUA, mas aos governantes de todo o mundo, que apesar da falta de recursos a sociedade civil ainda está viva. E em alerta. E pronta para cobrar-lhes as promessas.

Participo de AIDS 2012 por indicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil) para compor a delegação oficial brasileira, com recursos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

domingo, 22 de julho de 2012

Sharon Stone abre XIX Conferência Internacional de AIDS em Washington, DC; Obama não aparece

A atriz Sharon Stone, em foto Steve Shapiro/IAS
Vestida com um pretinho básico, mas com um reluzente colar de brilhantes, a atriz Sharon Stone abriu há pouco a AIDS 2012. Logo em seguida, entregou o prêmio Liz Taylor a dois ex-prisioneiros do Irã, pela luta deles pelos Direitos Humanos. Um vídeo com imagens de diversos momentos lembrou o envolvimento de Taylor contra a AIDS.

Depois de 22 anos, é a primeira vez que uma conferência de AIDS volta a ser realizada nos EUA. A próxima, em 2014, será em Melbourne, na Austrália. Mas, enquanto apenas inicia-se esta 19ª conferência internacional para a qual 10 mil resumos de trabalhos científicos ou de experiências exitosas foram submetidos, 20 mil delegados de 200 países são esperados além de 800 bolsistas, mais de dois mil jornalistas e 700 voluntários para 250 sessões, cerca de 300 atividades na Aldeia Global e de 150 sessões satélite que se iniciaram no meio da semana.

Segundo comunicado do Centro de Mídia de AIDS 2012, a conferência internacional volta a solo americano em um momento definitivo para a epidemia de AIDS nos EUA. Neste mais recente comunicado os números foram refeitos para 23 mil delegados de 195 países, o que não interessa muito, mas dá pra saber a dimensão de uma conferência deste porte. O objetivo final permanece o mesmo: dar fim à epidemia de AIDS que há mais de 30 anos já ceifou milhões de vidas em todo o mundo.

“Voltamos aos EUA depois de 22 anos, num momento de grande esperança, pois acreditamos na possibilidade de acabar com a AIDS”, disse Elly Katabira, presidente internacional de AIDS 2012 e da Sociedade Internacional de AIDS (IAS, na sigla em inglês, instituição organizadora das conferências de AIDS). Exultante, Katabira acredita, ainda, que esta conferência é uma excelente oportunidade para agradecer e mostrar ao povo norte-americano os milhões de vidas salvas graças à ajuda dos EUA na luta mundial contra a AIDS e nas pesquisas sobre o HIV.

A co-presidente norte-americana da conferência, Diane Havlir afirmou que houve um grande progresso sobre a epidemia nos últimos 30 anos, mas que não é possível permanecer assim. “Minha mensagem para todos os legisladores do mundo que estão em D.C. é que invistam em ciência, invistam na epidemia – vocês vão salvar vidas”, pediu Havlir.

Ela e Katabira pediram aos delegados presentes e aliados em todo o mundo que assinem a Declaração de Washington,D.C., que convoca à renovação da urgência e busca obter amplo apoio para poder acabar com a epidemia de AIDS.

“Nos 22 anos que se passaram desde que a conferência foi realizada em solo americano tivemos alguns êxitos esperados no campo da ciência e do tratamento”, disse Kathleen Sebelius, secretária norte-americana de Saúde e Serviços Humanos. “Mas este não é o momento de mudar o foco. Para alcançar nosso objetivo, que é chegar a uma geração sem AIDS, devemos fazer mais – para alcançar inclusive a mais pessoas, para que os programas sejam mais efetivos e responsáveis, para avançar ainda mais no campo da ciência.”

“Há um progresso sustentável na resposta à AIDS que acelera nosso caminho para chegar a zero transmissões por HIV”, afirmou Michel Sidibé, diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). “A luta contra a AIDS tem mostrado o caminho para mudar o rumo. Temos a responsabilidade de assegurar que as lições apreendidas no campo da AIDS informem e melhorem nossos esforços para alcançar outros objetivos, sobretudo a erradicação da pobreza”, disse Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial.

Falaram, ainda, durante a abertura de AIDS 2012, Vincent Gray, prefeito de Washington, D.C., o secretário geral da ONU Ban Ki-moon (por mensagem e vídeo), a congressista norte-americana Barbara Lee, e o embaixador do Zimbábue Mark Dybul. A última conferência internacional de AIDS foi realizada em 1990 em San Francisco e foi proibida de ser realizada nos EUA por causa da restrição à entrada de pessoas infectadas pelo HIV ou doentes de AIDS no país. Apenas após a derrubada desta restrição, em 2010 é que a IAS permitiu a realização de uma nova conferência em solo norte-americano.

Participo de AIDS 2012 por indicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil) para compor a delegação oficial brasileira, com recursos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

No metrô de Washington


Cartazes de variados temas tentam captar a atenção das mais diversas populações foram afixados nas estações do metrô de Washington, D.C. Este é apenas um deles, que diz: Decidindo o momento: "tomando o controle e começando o tratamento". Muito legal!

Incremento da AIDS entre latinos preocupam EUA

Em algumas horas começa a AIDS 2012 – XIX Conferência Internacional de AIDS. Pelos monitores disponíveis na sala de imprensa se veem pessoas trabalhando nos últimos ajustes para a sessão plenária. No piso superior, filas de delegados se formam para seus pegarem seus materiais e, principalmente, seus crachás de identificação.

Pela manhã, participei de um evento satélite que pretende criar uma rede latina que visa a um futuro sem HIV/AIDS nos EUA. Interessante a fala de Kurt Organista, professor da escola de bem estar social da Universidade da Califórnia. Segundo ele, a prevenção do HIV está baseada em 86% aos modelos biomédicos e apenas 14% aos modelos das Ciências Sociais. Para Organista, os modelos de prevenção deveriam basear-se 50% de cada um dos modelos.

Para a porto-riquenha Miriam Vega, vice-presidente e diretora de pesquisa e avaliação da Comissão Latina sobre AIDS, criada no Bronx, em Nova York, três contextos de vulnerabilidade são fundamentais para a os crescentes índices de HIV/AIDS entre latinos nos EUA: avaliabilidade, acessibilidade e aceitabilidade, que influenciam extremamente nos determinantes estruturais: pobreza, estigma e criminalidade.

Nos EUA, a incidência e a prevalência do HIV crescem assustadoramente entre latinos e diminuindo entre brancos, segundo informou Mario Perez, diretor da Divisão de Programas sobre HIV e DST do Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles, Califórnia, e responsável por um orçamento de US$ 100 milhões anuais. Segundo ele, latinos em LA preferem ser identificados como PVHA a serem identificados como homossexuais, pois a homofobia é muito grande, levando latinos à pobreza e à marginalidade. Perez terminou sua fala com uma provocação: “quem são as vozes latinas em LA?”

Problemas decorrentes da imigração e da migração, tais como isolamento, depressão, subemprego, pobreza, falta de moradia, prisão e deportação são fundamentais para acrescer vulnerabilidade aos latinos nos EUA, segundo Thomas Painter, do Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta. Para ele, são necessários ações criativas para envolver as comunidades latinas afetadas pela epidemia.

Os EUA têm mais de um milhão de pessoas vivendo com HIV e AIDS, das quais 80% conhecem sua sorologia e apenas 33% estão em terapia antirretroviral.

Participo de AIDS 2012 por indicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil) para compor a delegação oficial brasileira, com recursos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Deception or hope never dies

Estou arrumando as malas. Embarco à noite para Washington, D.C., onde participo da XIX International AIDS Conference – AIDS 2012. Estava bastante esperançoso com esta conferência, que não acontece nos EUA desde 1990. Minha esperança era que fosse anunciada uma nova descoberta contra a AIDS, como aconteceu em 1996 em Vancouver, no Canadá, e que o presidente Barack Obama participasse da cerimônia de abertura, dia 22. Afinal ele está em campanha eleitoral e pouco antes da Conferência de Viena, realizada em 2010, os EUA retiraram as restrições para a entrada de pessoas vivendo com HIV/AIDS no país, facilitando a realização desta em Washington.

Mas acabo de ler no The Washington Times que Obama será representado pela secretária de Estado Hillary Clinton e a secretária de Saúde e Serviços Humanos Kathleen Sebelius. O ex-presidente Bill Clinton e a ex-primeira-dama Laura Bush falarão na conferência e suas presenças foram confirmadas anteriormente, como a de Bill Gates e sir Elton John, por exemplo. A Fundação Clinton financia a aquisição de medicamentos de comunidades africanas e pesquisas de vacinas contra o HIV; no governo George W. Bush foi lançado o Plano de Emergência do Presidente para o Alívio da AIDS (PEPFAR, na sigla em inglês). Segundo o jornal, a proposta de orçamento de Obama para 2013 não contempla o PEPFAR, mas a Casa Branca reafirmou seu empenho no combate à AIDS.

O Brasil não deve ser bem recebido em Washington, avalia Pedro Chequer, coordenador do UNAIDS no Brasil, em entrevista publicada no blog do jornalista Roldão Arruda. Para Chequer, ex-diretor do extinto Programa Nacional de DST/AIDS (atualmente Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais), o país, que teve destaque em outras conferências pelo “pioneirismo das políticas públicas de prevenção ao vírus e tratamento da síndrome [...] vem perdendo a vanguarda na área de prevenção”, devido ao sucesso de grupos religiosos que têm influenciado decisões governamentais contrárias à difusão de informação correta sobre saúde pública às populações mais vulneráveis à infecção pelo HIV.

Fui indicado pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil) para compor a delegação oficial brasileira que participará da conferência, com a missão específica de informar a rede sobre minhas impressões das sessões plenárias, das apresentações de trabalhos, do que eu ver. Vou tentar fazer isso por aqui e pelo meu twitter, pois o site da RNP+ Brasil está sendo reformulado.

Ontem, o laboratório Gilead Sciences anunciou que os EUA liberaram o antirretroviral Truvada para profilaxia para reduzir o risco de infecção pelo HIV, segundo informações da Agência Reuters. Um dia antes do início de AIDS 2012, o Brasil inaugura fábrica de medicamentos antirretrovirais em Maputo, capital de Moçambique, na África. A propósito do tema da conferência – “Revertendo a Maré em Conjunto” –, a Sociedade Internacional de AIDS (IAS) e a Universidade da Califórnia (UCSF) lançaram a Declaração de Washington, D.C, para acabar com a epidemia do HIV/AIDS, e que colhe assinaturas online. Por isso, como anunciei no título, apesar da decepção com a ausência de Obama e o que ela pode significar para o combate à epidemia não apenas nos EUA, mas em todo o mundo, a esperança nunca morre.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não subestime a inteligência alheia ou cadê a campanha do Carnaval?


Você viu a campanha do Carnaval 2012 de prevenção à AIDS? Se não viu no Facebook, no site do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, ou nos canais do Departamento e do Ministério da Saúde no YouTube, você provavelmente não verá. No último dia 02 de fevereiro, o ministro da Saúde Alexandre Padilha esteve na Escola de Samba da Rocinha para lançar a campanha oficial de prevenção à Aids para o carnaval.

Composta por cartazes, folders, bandanas etc., a campanha trazia uma referência inédita: num dos cartazes, pessoas se divertem na folia de Momo de um carnaval que pode ser em Salvador ou Olinda. No primeiro plano, afastados dos demais foliões, mas parecendo estar num beco, um casal formado por um homem e uma travesti começa a se abraçar. Na linha do tórax dele e dos seios dela, uma faixa com a frase “isso rola muito”. Ao lado, duas borboletas trazem cada uma uma camisinha. Abaixo dos insetos, outra faixa traz a frase “esperar por isso não rola”. Embaixo desta última frase, sobre um preservativo masculino desenrolado, a oração “na empolgação rola de tudo. Só não rola sem camisinha. Tenha sempre a sua”. Mais abaixo, as assinaturas do Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério da Saúde e do governo federal do Brasil.

“Nunca antes na história deste país” uma campanha de carnaval deu-se ao luxo de priorizar a população de travestis e transexuais. Mas, de uma forma ou de outra, a pasta da Saúde está sendo coerente com o discurso sobre essa população, que o ministro defendeu em discurso na Assembleia Mundial da Saúde, realizada no primeiro semestre do ano passado, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Mas os cartazes não serão vistos porque dificilmente chegarão a tempo às secretarias estaduais de Saúde (SES), que deveriam fazer a distribuição. Mas as SES não os distribuem porque eles não chegam a tempo da logística poder distribui-los aos municípios e estes, às organizações não governamentais parceiras, segundo o princípio de descentralização do SUS.

Mas, e o vídeo da campanha? Antes de responder a esta pergunta, permita-me descrevê-los. Sim, neste ano foram produzidos dois vídeos. Um deles é protagonizado por um casal heterossexual (um rapaz e uma moça). O casal hétero se conhece brincando o Carnaval na mesma cidade que a travesti. Eles saem da folia e vão a uma praia, deitam-se na areia e a moça pergunta ao rapaz se ele tem camisinha. Uma voz em off diz que isso rola muito. Mas, antes mesmo que ela possa ficar desapontada, surge de um buraco na areia um caranguejo – ou siri – trazendo uma camisinha a eles. E a voz novamente diz que esperar por isso não rola, que na empolgação rola de tudo e que por isso é sempre bom que se tenha uma camisinha para essas ocasiões.

No outro vídeo, ambientado numa balada, um rapaz vai ao balcão e pede uma bebida à garçonete, que depois de entregar-lhe o drink, também dá a ele um bilhete, olhando à direita. Um outro rapaz sorri ao primeiro. Os dois se aproximam, conversam, sentam-se num sofá e começam a se abraçar. Até que um deles pergunta se o outro tem camisinha. Novamente, a voz em off. E, antes que o que perguntou se decepcione com a negativa, surge uma fadinha trazendo ao casal gay uma camisinha. De novo, a voz diz que esperar por isso não rola e que na empolgação rola de tudo.

Os vídeos seriam dirigidos a heterossexuais e gays, respectivamente. Com as peças audiovisuais, pretendia-se sensibilizar a jovens entre 15 e 24 anos, faixa etária em que a disseminação do HIV ainda é alta. Seriam porque não serão vistos. Foram vetados pelo ministro. Uma fonte disse que o ministro considerou-os abusadinhos demais.

Campanhas de prevenção de doenças fazem parte das estratégias de comunicação do Ministério da Saúde com a população brasileira. Tais estratégias são amplamente discutidas no âmbito das conferências de Saúde, pois o Art. 196 da Constituição Cidadã de 1988 atribui ao Estado a responsabilidade pela garantia do direito à saúde de todos, “mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Além do Art. 196, a Carta Magna dispõe sobre a Saúde nos artigos 197, 198, 199 e 200. Regulamentam tais artigos as leis 8.080/90 e 8.142/90, além de decretos, portarias, normas, pactos etc.

Para elaborar uma campanha de prevenção, o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde define, segundo dados epidemiológicos, a população a ser sensibilizada, que eles nomeiam por “público alvo”. A prioridade é apresentada ao Grupo de Trabalho (GT) de Comunicação, que tem participantes do próprio Departamento, da Assessoria de Comunicação (Ascom) do Ministério da Saúde, da agência de publicidade, do movimento social e da universidade. Essa participação é preconizada pelo inciso III do Art. 198 da Constituição.

Por causa de algumas campanhas consideradas mais polêmicas, até a Ascom da Presidência da República tem de aprovar as campanhas federais. No caso da Saúde, só é submetida a campanha depois de aprovada pela Ascom do Ministério. Se a campanha foi lançada e o ministro considerou os vídeos avançadinhos demais, significa que ele lançou a campanha na Rocinha sem assisti-los?

Por dois anos, eleito pelo movimento social de luta contra a AIDS no Brasil, fiz parte deste GT. Às vezes percebia que duas ou três vírgulas do que falávamos eram ouvidas. Noutras vezes, nem isso. Fiquei bastante satisfeito quando, logo no primeiro ano de participação, o Departamento voltou atrás na intenção de produzir uma campanha de carnaval com pessoas vivendo com HIV/AIDS. Meu argumento era de que sem uma sensibilização anterior, que poderia ser feita pela campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, seríamos ainda mais discriminados. Foi o recuo do Departamento que me levou a repensar a campanha e a sugerir que o GT retomasse a discussão para a campanha do Dia Mundial, o que realmente aconteceu, abrindo espaço para que as pessoas que vivem com HIV/AIDS pudessem também estar na campanha do carnaval do ano seguinte.

Paralelamente à redação desta postagem, uma discussão foi travada nas redes sociais e em algumas listas de discussão. Um representante dos jovens gays interpelou o Ministério, que deu a ele a seguinte resposta: “A campanha de aids está passando por ajustes técnicos, os filmes estão sendo legendados para proporcionar acessibilidade para os deficientes visuais. Em breve, a campanha será lançada em rede nacional de televisão.” Oi??? Filmes legendados para deficientes visuais???

Em 2005, a campanha do Dia Mundial de luta contra a AIDS deveria sensibilizar a população negra. O vídeo custou R$ 15 milhões e não passou nenhuma vez na TV até hoje. No ano passado, o filminho pífio que o Ministério da Saúde fez para o mesmo dia 1º de dezembro passou apenas uma única vez na TV. Não se sabe quanto custou.

Eu vi os vídeos legendados. Portanto, digam que sou chato, que não gosto de nada – o que não é verdade, pois já elogiei campanhas do governo federal neste blog –, etc. Mas não subestimem a minha inteligência. Nem a de ninguém, porque isso é violência institucional a uma das populações que mais precisam ser sensibilizadas. Isso é um atentado ao direito humano à informação à saúde.

PS: os comentários estão abertos, sem moderação. Como sempre estiveram, porque a expressão ainda é livre neste país.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sexo, drogas, rock and roll e Aids

O ator James Franco (127 Horas, 2010) viverá o ambicioso fotógrafo Robert Mapplethorpe no cinema, projeto da cineasta Ondi Timoner. A informação foi divulgada pelo Hollywood Reporter, site especializado em notícias sobre cinema. O polêmico fotógrafo morreu de Aids em março de 1989, aos 42 anos.

Sem nunca revelar uma única foto, Mapplethorpe alçou a fotografia à condição de arte, principalmente por seu inquietante olhar sobre as práticas gays sadomasoquistas, seu desejo por corpos de homens negros nus e por seus vasos de flores, que a yuppie década de 1980 transformou em desejo de consumo das sociedades norte-americana e europeia.

Com o drama, Mapplethorpe voltará à mídia. Antes de morrer, e já sabendo que estava infectado pelo HIV, o fotógrafo norte-americano montou e definiu a missão da Fundação Mapplethorpe, responsável por proteger e preservar sua obra e por contribuir financeiramente para as pesquisas científicas contra a Aids, além de pessoalmente ter contratado a jornalista Patricia Morrisroe para escrever sua biografia.

Mapplethorpe, uma biografia chegou às livrarias dos EUA em 1995, foi traduzido para o português e publicado pela Editora Record no Brasil no ano seguinte. Talvez a rapidez com a qual o livro foi traduzido seja responsável por alguns problemas com a edição brasileira, esgotada.

Com 15 páginas de fotos, pelo menos duas fotografias não constam da edição brasileira: a foto do túmulo do fotógrafo e a capa da revista Artforum. O túmulo de Mapplethorpe nem poderia ter uma foto, pois ele foi cremado e suas cinzas foram enterradas com o caixão de sua mãe, Joan, que morreu alguns dias depois do filho. Há também algumas frases truncadas no livro, sem sentido aparente.

Também, a notícia de um medicamento para a Aids que o livro nomeia por CD4, que na verdade é um exame de rotina que conta as células de defesa do organismo, fundamental para que os médicos saibam como está a progressão do vírus no corpo das pessoas infectadas pelo HIV. Além disso, alguns nomes só aparecem na parte final da biografia e Morrisroe não narra – que eu me lembre – como foi feita a foto do artista plástico Andy Warhol, ídolo do fotógrafo.

Só garotos, memórias de Patti Smith
Apesar disso, a biografia de Mapplethorpe deve ser lida paralelamente a Só Garotos, da escritora e roqueira Patti Smith, que foi companheira do fotógrafo e dividiu com ele a cama e o sustentou por longos períodos nos anos 1960 e 1970. O livro de memórias de Smith, publicado nos EUA e no Brasil (Companhia das Letras) em 2010, foi uma promessa da escritora feita ao fotógrafo em seu leito de morte, em Boston.

Se Morrisroe nomeia a sexualidade de Mapplethorpe por homossexualismo, Smith é politicamente correta e a nomeia por homossexualidade. Se Morrisroe às vezes passa por cima de alguns fatos importantes da vida da dupla, como o longo tempo em que o casal viveu no hotel Chelsea, em Nova York, Smith relata com detalhes as circunstâncias que levaram os jovens pretendentes a artistas a morar no hotel.

Foi no Chelsea que Mapplethorpe e Smith conheceram a fina flor do rock, do cinema, da literatura e das artes plásticas norte-americana. Foi lá também que ficaram amigos de pessoas que lhes favoreceram a entrada a esse mundo regado a glamour, sexo e drogas. Por fim, se Morrisroe escreveu seu livro baseado nas 16 entrevistas que fez com o fotógrafo e com centenas de pessoas que passaram pela vida de Mapplethorpe, Smith recorre apenas a suas memórias.

Se incomodam os erros na biografia escrita por Morrisroe, supostamente pela rapidez da tradução para o português, como aventado acima, a mesma rapidez com que o livro de Smith foi traduzido e publicado no Brasil não tropeçou nos mesmos obstáculos. Se a biografia escrita por Morrisroe está esgotada (pode ser encontrada na Estante Virtual), as memórias de Smith ainda estão nas livrarias.

Quando Mapplethorpe voltar à mídia pelo drama que James Franco irá estrelar no cinema, a Editora Record deve relançar a biografia do fotógrafo, o que será uma ótima oportunidade para revisar a edição do livro lançado há quase 16 anos no Brasil. Leitores e fãs do polêmico fotógrafo agradecerão.

Livros:
Mapplethorpe, uma biografia. De Patricia Morrisroe. Editora Record, 1996. Esgotado, disponível na Estante Virtual. R$ 15 a R$ 60.
Só garotos. De Patti Smith. Companhia das Letras, 2010. R$ 39.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Dança dos Famosos, segundo Beto Volpe

No artigo Dança dos Famosos, publicado originalmente no jornal A Tribuna do Litoral Paulista desta quarta-feira, que o autor reproduz no blog Carga Viral, Beto Volpe aborda um aspecto da AIDS pouco divulgado, os efeitos colaterais dos antirretrovirais, que causaram a morte do ator Rodolfo Bottino.

Vítima de uma embolia cardiovascular em trabalho pré-operatório para uma cirurgia de quadril, provocada por uma osteonecrose, a morte de Bottino não foi por AIDS, mas foi causada pelos efeitos dos medicamentos que o ator tomava para conter a doença. A reflexão do ativista é mais do que oportuna, pois cânceres, demência, osteonecrose e doenças degenerativas têm acometido mais as pessoas que vivem com HIV em tratamento antirretroviral.

Recomendo a leitura do post e de toda a Carga Viral de Beto Volpe.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ex-presidente do CNS alerta sobre golpe contido na Carta de Brasília

O ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, divulgou hoje um manifesto alertando para o golpe contido na Carta de Brasília (divulgada aqui, no post abaixo).
Segundo Batista Júnior, a carta vai contra muitas das propostas aprovadas e é favorável a propostas derrotadas na 14ª Conferência Nacional de Saúde, que ele nomeia como a mais melancólica de todas.
Com os delegados voltando às suas bases, começam a pipocar propostas de ações judiciais contra a aprovação da carta, que teria ferido o regimento e regulamento da Conferência.
Em respeito ao direito do contraditório, premissa básica do jornalismo, divulgo abaixo o manifesto do ex-presidente do CNS, na íntegra.


A vergonhosa e melancólica 14ª Conferência Nacional de Saúde
por Francisco Batista Júnior (*)

Desde a 13ª Conferência Nacional de Saúde em 2007, a maior e mais democrática Conferência realizada pós Constituição Federal, - que transcorreu sob a absoluta normalidade e que começou e terminou sob aplausos, - que determinados atores passaram a defender alguma “outra coisa” além do Relatório Final que mostrasse não somente o embate entre propostas vencedoras e derrotadas, mas que contemplasse outras “questões importantes”. Isso aconteceu em consequência da estrondosa derrota da proposta de Fundação Estatal de direito privado, o que acabou expondo o governo sobremaneira.
De lá para cá isso passou a ser “costurado” intramuros, ao mesmo tempo em que se deflagrou uma desonesta campanha contra a referida Conferência, esquecendo deliberadamente que dentre outras inúmeras coisas, foi a primeira que realizou, por exemplo, o mais aprofundado debate sobre saúde e qualidade de vida, aliás o seu tema central. A ideia era esconder as grandes polêmicas e os grandes dissensos, jogando-os para “debaixo do tapete”. O plano era não passar a ideia de vencedores e vencidos e de um grande consenso entre todos os participantes, o que, convenhamos, é absolutamente impossível na atual conjuntura e na correlação de forças que enfrentamos.
A “carta de Brasília” foi o instrumento pensado. O tiro saiu pela culatra na 14ª Conferência Nacional de Saúde que acabou de acontecer em Brasília, apesar de não ter havido qualquer articulação contra a dita cuja, pela absoluta falta de tempo e por desconhecimento do seu teor. A dita “carta”, construída durante a Conferência a partir de sucessivas reuniões a portas fechadas com entidades, instituições e movimentos, que foram um a um contemplados de alguma forma nas suas reivindicações, feriu o regulamento da Conferência, foi imposta ao Plenário que não a queria, da forma mais autoritária que já vi na minha militância; trata-se na verdade de um relatório paralelo, uma verdadeira tese que deixa o relatório final e as diferenças em segundo plano e principalmente, não faz qualquer referência às Organizações Sociais (OS), Organizaçõpes da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), Fundações, Empresas e outros “parceiros” privados, enquanto GERENTES dos serviços do SUS.
A questão crucial da “carta” não é o seu conteúdo que contempla de alguma forma quase tudo que reivindicamos para o Sistema Único de Saúde. Mas ao mesmo tempo, também é (de conteúdo), e isso é o principal e essencial para nós, uma vez que se transforma num relatório paralelo e deixa “brechas” para que principalmente, se continue aprofundando o processo de privataria do SUS.
Qualquer um desses instrumentos de GERÊNCIA de serviços acontece ou pode acontecer com GESTÃO estatal e SUS 100% público, sem privatização da GESTÃO, sem dupla porta e tudo o mais que está na “carta”. Mas a GERÊNCIA, de acordo com a “carta”, não está proibida explicitamente de ser exercida pelas OS, OSCIP e todos os demais “parceiros” tão ardorosamente defendidos por alguns/muitos, como novos “paradigmas” do SUS.
Além disso, outras questões colocadas na “carta”, como a taxação de movimentação financeira, que EU defendo mas que foi derrotada na Conferência, estão lá contempladas. Além de tudo isso, não foi permitido de jeito nenhum questão de ordem ou qualquer possibilidade de defesa a favor ou contra o texto que só foi lido na hora da apresentação, muito menos que outros atores da Conferência, como nós do movimento, pudessem apresentar um texto alternativo que até elaboramos quando tomamos conhecimento do que estava em curso, mas que teve autoritariamente cerceada qualquer possibilidade de ser apresentado, depois que a Coordenação da Conferência resolveu, mesmo contra uma manifestação majoritária do Plenário, apresentar o texto “oficial”. O texto que elaboramos era, sim, uma Carta Política e não um novo e paralelo relatório.
Por tudo isso, o que aconteceu na 14ª Conferência Nacional de Saúde foi muito grave. É um grave precedente de método. É um grave precedente de conteúdo. É um precedente perigoso de possibilidade não somente de esvaziamento, mas também de burla ao relatório Final da Conferência, que é o legítimo e democrático produto dos debates. De acordo com o teor da “carta”, qualquer gestor pode continuar tranquilamente praticando a privataria da GERÊNCIA dos serviços do SUS. A “carta” é omissa sobre isso, ao contrário do relatório. Sabemos bem que existem gestores e gestores. Alguns, entenderão a “carta” como o “instrumento democrático” que lhes autoriza a continuar aprofundando a privataria com OS, OSCIP, fundações e congêneres.
A 13ª entrou na história como a que teve a maior participação das últimas Conferências de Saúde, a mais democrática e transparente, a mais organizada; contou com a participação do Presidente Lula na sua abertura, que começou e acabou sob aplausos e foi encerrada com tod@s @s delegad@s emocionad@s cantando o hino nacional. A 14ª começou sob protestos, não teve a presença da Presidenta Dilma, teve gravíssimos problemas na abertura que foi irresponsavelmente transformada num palanque político, na votação do Regulamento, nos grupos de trabalho, uma Plenária Final sem que se disponibilizasse imediatamente os relatórios consolidados, teve o golpe final da “carta”, e acabou sem que o Ministro da Saúde conseguisse fazer o discurso final em função das vaias e protestos.
Aliás, o hino nacional foi colocado desesperadamente em todo o volume para tentar abafar as vaias e protestos que insistiam em não silenciar. Já estão em curso várias denúncias sobre o que aconteceu e possíveis ações judiciais contra a dita “carta”. Nunca antes na história desse país se viu coisa igual. Lamentável!
Por tudo isso, as nossas manifestações são absolutamente fundamentais sob pena de colocar em risco tudo o que penosamente construímos como experiência de democracia participativa no SUS.

* Francisco Batista Júnior é ex-presidente Conselho Nacional de Saúde

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CNS defende o SUS em carta à sociedade

Terminou neste domingo (4/12), a 14ª Conferência Nacional de Saúde. A plenária final aprovou, além das propostas e moções debatidas durante os cinco dias, carta à sociedade brasileira, reproduzida abaixo. Apesar de longa, vale a pena ler para saber que rumos a Saúde Pública brasileira deve tomar nos próximos anos. A carta também pode ser acessada no site do Conselho Nacional de Saúde.

CARTA DA 14ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE À SOCIEDADE BRASILEIRA
Todos usam o SUS: SUS na Seguridade Social! Política Pública, Patrimônio do Povo Brasileiro
Acesso e Acolhimento com Qualidade: um desafio para o SUS
Nestes cinco dias da etapa nacional da 14ª Conferência Nacional de Saúde reunimos 2.937 delegados e 491 convidados, representantes de 4.375 Conferências Municipais e 27 Conferências Estaduais.
Somos aqueles que defendem o Sistema Único de Saúde como patrimônio do povo brasileiro.
Punhos cerrados e palmas! Cenhos franzidos e sorrisos.
Nossos mais fortes sentimentos se expressam em defesa do Sistema Único de Saúde.
Defendemos intransigentemente um SUS Universal, integral, equânime, descentralizado e estruturado no controle social.

Os compromissos dessa Conferência foram traçados para garantir a qualidade de vida de todos e todas.
A Saúde é constitucionalmente assegurada ao povo brasileiro como direito de todos e dever do Estado. A Saúde integra as políticas de Seguridade Social, conforme estabelecido na Constituição Brasileira, e necessita ser fortalecida como política de proteção social no País.
Os princípios e as diretrizes do SUS - de descentralização, atenção integral e participação da comunidade - continuam a mobilizar cada ação de usuários, trabalhadores, gestores e prestadores do SUS.
Construímos o SUS tendo como orientação a universalidade, a integralidade, a igualdade e a equidade no acesso às ações e aos serviços de saúde.
O SUS, como previsto na Constituição e na legislação vigente é um modelo de reforma democrática do Estado brasileiro. É necessário transformarmos o SUS previsto na Constituição em um SUS real.
São os princípios da solidariedade e do respeito aos direitos humanos fundamentais que garantirão esse percurso que já é nosso curso nos últimos 30 anos em que atores sociais militantes do SUS, como os usuários, os trabalhadores, os gestores e os prestadores, exercem papel fundamental na construção do SUS.
A ordenação das ações políticas e econômicas deve garantir os direitos sociais, a universalização das políticas sociais e o respeito às diversidades etnicorracial, geracional, de gênero e regional. Defendemos, assim, o desenvolvimento sustentável e um projeto de Nação baseado na soberania, no crescimento sustentado da economia e no fortalecimento da base produtiva e tecnológica para diminuir a dependência externa.
A valorização do trabalho, a redistribuição da renda e a consolidação da democracia caminham em consonância com este projeto de desenvolvimento, garantindo os direitos constitucionais à alimentação adequada, ao emprego, à moradia, à educação, ao acesso à terra, ao saneamento, ao esporte e lazer, à cultura, à segurança pública, à segurança alimentar e nutricional integradas às políticas de saúde.
Queremos implantar e ampliar as Políticas de Promoção da Equidade para reduzir as condições desiguais a que são submetidas as mulheres, crianças, idosos, a população negra e a população indígena, as comunidades quilombolas, as populações do campo e da floresta, ribeirinha, a população LGBT, a população cigana, as pessoas em situação de rua, as pessoas com deficiência e patologias e necessidades alimentares especiais.
As políticas de promoção da saúde devem ser organizadas com base no território com participação inter-setorial articulando a vigilância em saúde com a Atenção Básica e devem ser financiadas de forma tripartite pelas três esferas de governo para que sejam superadas as iniquidades e as especificidades regionais do País.
Defendemos que a Atenção Básica seja ordenadora da rede de saúde, caracterizando-se pela resolutividade e pelo acesso e acolhimento com qualidade em tempo adequado e com civilidade.
A importância da efetivação da Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher, a garantia dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos, além da garantia de atenção à mulher em situação de violência, contribuirão para a redução da mortalidade materna e neonatal, o combate ao câncer de colo uterino e de mama e uma vida com dignidade e saúde em todas as fases de vida.
A implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra deve estar voltada para o entendimento de que o racismo é um dos determinantes das condições de saúde. Que as Políticas de Atenção Integral à Saúde das Populações do Campo e da Floresta e da População LGBT, recentemente pactuadas e formalizadas, se tornem instrumentos que contribuam para a garantia do direito, da promoção da igualdade e da qualidade de vida dessas populações, superando todas as formas de discriminação e exclusão da cidadania, e transformando o campo e a cidade em lugar de produção da saúde. Para garantir o acesso às ações e serviços de saúde, com qualidade e respeito às populações indígenas, defendemos o fortalecimento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. A Vigilância em Saúde do Trabalhador deve se viabilizar por meio da integração entre a Rede Nacional de Saúde do Trabalhador e as Vigilâncias em Saúde Estaduais e Municipais. Buscamos o desenvolvimento de um indicador universal de acidentes de trabalho que se incorpore aos sistemas de informação do SUS.
Defendemos o fortalecimento da Política Nacional de Saúde Mental e Álcool e outras drogas, alinhados aos preceitos da Reforma Psiquiátrica antimanicomial brasileira e coerente com as deliberações da IV Conferência Nacional de Saúde Mental.
Em relação ao financiamento do SUS é preciso aprovar a regulamentação da Emenda Constitucional 29. A União deve destinar 10% da sua receita corrente bruta para a saúde, sem incidência da Desvinculação de Recursos da União (DRU), que permita ao Governo Federal a redistribuição de 20% de suas receitas para outras despesas. Defendemos a eliminação de todas as formas de subsídios públicos à comercialização de planos e seguros privados de saúde e de insumos, bem como o aprimoramento de mecanismos, normas e/ou portarias para o ressarcimento imediato ao SUS por serviços a usuários da saúde suplementar. Além disso, é necessário manter a redução da taxa de juros, criar novas fontes de recursos, aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a saúde, tributar as grandes riquezas, fortunas e latifúndios, tributar o tabaco e as bebidas alcoólicas, taxar a movimentação interbancária, instituir um percentual dos royalties do petróleo e da mineração para a saúde e garantir um percentual do lucro das empresas automobilísticas.
Defendemos a gestão 100% SUS: sistema único e comando único, sem “dupla-porta”, contra a terceirização da gestão e com controle social amplo. A gestão deve ser pública e a regulação de suas ações e serviços deve ser 100% estatal, para qualquer prestador de serviços ou parceiros. Precisamos contribuir para a construção do marco legal para as relações do Estado com o terceiro setor. Defendemos a profissionalização das direções, assegurando autonomia administrativa aos hospitais vinculados ao SUS, contratualizando metas para as equipes e unidades de saúde. Defendemos a exclusão dos gastos com a folha de pessoal da Saúde e da Educação do limite estabelecido para as Prefeituras, Estados, Distrito Federal e União pela Lei de Responsabilidade Fiscal e lutamos pela aprovação da Lei de Responsabilidade Sanitária.
Para fortalecer a Política de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde é estratégico promover a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras em saúde, investir na educação permanente e formação profissional de acordo com as necessidades de saúde da população, garantir salários dignos e carreira definida de acordo com as diretrizes da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS, assim como, realizar concurso ou seleção pública com vínculos que respeitem a legislação trabalhista e assegurem condições adequadas de trabalho, implantando a Política de Promoção da Saúde do Trabalhador do SUS.
Visando fortalecer a política de democratização das relações de trabalho e fixação de profissionais, defendemos a implantação das Mesas Municipais e Estaduais de Negociação do SUS, assim como os protocolos da Mesa Nacional de Negociação Permanente em especial o de Diretrizes Nacionais da Carreira Multiprofissional da Saúde e o da Política de Desprecarização. O Plano de Cargos, Carreiras e Salários no âmbito municipal/regional deve ter como base as necessidades loco-regionais, com contrapartida dos Estados e da União.
Defendemos a adoção da carga horária máxima de 30 horas semanais para a enfermagem e para todas as categorias profissionais que compõem o SUS, sem redução de salário, visando cuidados mais seguros e de qualidade aos usuários.
Apoiamos ainda a regulamentação do piso salarial dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes de Controle de Endemias (ACE), Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN) com financiamento tripartite.
Para ampliar a atuação dos profissionais de saúde no SUS, em especial na Atenção Básica, buscamos a valorização das Residências Médicas e Multiprofissionais, assim como implementar o Serviço Civil para os profissionais da área da saúde. A revisão e reestruturação curricular das profissões da área da saúde devem estar articuladas com a regulação, a fiscalização da qualidade e a criação de novos cursos, de acordo com as necessidades sociais da população e do SUS no território.
O esforço de garantir e ampliar a participação da sociedade brasileira, sobretudo dos segmentos mais excluídos, foi determinante para dar maior legitimidade à 14ª Conferência Nacional de Saúde. Este esforço deve ser estendido de forma permanente, pois ainda há desigualdades de acesso e de participação de importantes segmentos populacionais no SUS.
Há ainda a incompreensão entre alguns gestores para com a participação da comunidade garantida na Constituição Cidadã e o papel deliberativo dos conselhos traduzidos na Lei nº 8.142/90. Superar esse impasse é uma tarefa, mais do que um desafio.
A garantia do direito à saúde é, aqui, reafirmada com o compromisso pela implantação de todas as deliberações da 14ª Conferência Nacional de Saúde que orientará nossas ações nos próximos quatro anos reconhecendo a legitimidade daqueles que compõe os conselhos de saúde, fortalecendo o caráter deliberativo dos conselhos já conquistado em lei e que precisa ser assumido com precisão e compromisso na prática em todas as esferas de governo, pelos gestores e prestadores, pelos trabalhadores e pelos usuários.
Somos cidadãs e cidadãos que não deixam para o dia seguinte o que é necessário fazer no dia de hoje. Somos fortes, somos SUS.

COMISSÃO ORGANIZADORA DA 14ª CNS
Brasília, DF, 04/12/11.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Em defesa do SUS


Hoje pela manhã, durante a mesa central: acesso e acolhimento com qualidade um desafio para o SUS, as apresentações foram interrompidas por uma manifestação formada por delegados de vários estados em defesa do SUS e contra as privatizações.  Muito pertinente, a manifestação foi apoiada por todos.