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domingo, 24 de março de 2013

Dúvida sobre AIDS tem resposta nas redes sociais



Dúvidas sobre HIV, AIDS, outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) e hepatites virais têm agora um canal oficial para esclarecimento. Ou melhor, vários canais. No Facebook, Twitter, Instagram, Google+, YouTube ou em outras redes sociais online, internautas têm acesso a informações sobre o que são DST, HIV, AIDS e hepatites, como preveni-las, onde fazer o exame para diagnóstico ou quando iniciar o tratamento. Os perfis estão vinculados à página do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (D-DST/AIDS/HV) do Ministério da Saúde (MS).

O objetivo é ampliar o acesso à informação, aproximando o MS de 55 milhões de usuários das redes sociais online no Brasil. Segundo o MS, as novas páginas “permitirão identificar as principais demandas por informação das populações em situação de maior vulnerabilidade”.

Desde dezembro não tenho respondido mais às perguntas aqui no blog. Foi em abril de 2008 que, vendo como internautas chegavam aqui que fiz um post e respondi pelo menos a uma centena de dúvidas sobre HIV/AIDS. Ultimamente não tenho me sentido capaz de responder seja porque a dúvida é muito específica ou porque a resposta seja a mesma: faça o teste.

O conteúdo dos novos perfis é formado por imagens, vídeos, textos e notícias sobre AIDS. A estratégia do D-DST/AIDS/HV do MS, que pretende fazer “do acesso à informação uma importante ferramenta da Saúde”, precisa se despojar um pouco para acessar a população mais vulnerável.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Nota de repúdio conjunta das redes de pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados

Nós, pessoas vivendo com HIV e AIDS no Brasil, neste instrumento representadas pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil), pelo Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), e pela Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA), que juntas formam o Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS,

CONSIDERANDO as declarações de rancor, ódio e falta de conhecimento relacionados às pessoas negras, à comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), às pessoas vivendo com HIV e AIDS (PVHA) no Brasil, bem como às pessoas indígenas brasileiras e a religiões de origem afro-brasileiras, proferidas pelo pastor-deputado Marco Feliciano, do Partido Social Cristão (PSC-SP), indicado para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias desta Casa Legislativa;

CONSIDERANDO que o Estado Democrático é laico e as ações dos poderes constituídos devem ser embasadas no Direito;

CONSIDERANDO a luta histórica da sociedade brasileira pelos Direitos Humanos das minorias e das populações marginalizadas;

CONSIDERANDO que não há privilégios da população LGBT brasileira; e

CONSIDERANDO que a Síndrome de Imunodeficiência Humana (Sida/AIDS) não é uma doença que afeta exclusivamente à população homossexual masculina, mas também outras populações marginalizadas em seus direitos humanos e civis, afetando crescentemente a população heterossexual,

Vimos pela presente manifestação, REPUDIAR veementemente a indicação, pelo PSC, e a aceitação, tanto pela referida CDHM, quanto pela mesa diretora desta casa legislativa que seja entregue ao pastor deputado Marco Feliciano esta Comissão tão importante e cara à população brasileira.

Sem mais,

Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+ Brasil)
Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP)
Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA)

À
Comissão de Direitos Humanos e Minorias
Câmara dos Deputados
Brasília – DF

c/c Frente Parlamentar de HIV/AIDS da Câmara dos Deputados
c/c Mesa diretora da Câmara dos Deputados

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não subestime a inteligência alheia ou cadê a campanha do Carnaval?


Você viu a campanha do Carnaval 2012 de prevenção à AIDS? Se não viu no Facebook, no site do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, ou nos canais do Departamento e do Ministério da Saúde no YouTube, você provavelmente não verá. No último dia 02 de fevereiro, o ministro da Saúde Alexandre Padilha esteve na Escola de Samba da Rocinha para lançar a campanha oficial de prevenção à Aids para o carnaval.

Composta por cartazes, folders, bandanas etc., a campanha trazia uma referência inédita: num dos cartazes, pessoas se divertem na folia de Momo de um carnaval que pode ser em Salvador ou Olinda. No primeiro plano, afastados dos demais foliões, mas parecendo estar num beco, um casal formado por um homem e uma travesti começa a se abraçar. Na linha do tórax dele e dos seios dela, uma faixa com a frase “isso rola muito”. Ao lado, duas borboletas trazem cada uma uma camisinha. Abaixo dos insetos, outra faixa traz a frase “esperar por isso não rola”. Embaixo desta última frase, sobre um preservativo masculino desenrolado, a oração “na empolgação rola de tudo. Só não rola sem camisinha. Tenha sempre a sua”. Mais abaixo, as assinaturas do Sistema Único de Saúde (SUS), do Ministério da Saúde e do governo federal do Brasil.

Nunca antes na história deste país uma campanha de carnaval deu-se ao luxo de priorizar a população de travestis e transexuais. Mas, de uma forma ou de outra, a pasta da Saúde está sendo coerente com o discurso sobre essa população, que o ministro defendeu em discurso na Assembleia Mundial da Saúde, realizada no primeiro semestre do ano passado, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Mas os cartazes não serão vistos porque dificilmente chegarão a tempo às secretarias estaduais de Saúde (SES), que deveriam fazer a distribuição. Mas as SES não os distribuem porque eles não chegam a tempo da logística poder distribui-los aos municípios e estes, às organizações não governamentais parceiras, segundo o princípio de descentralização do SUS.

Mas, e o vídeo da campanha? Antes de responder a esta pergunta, permita-me descrevê-los. Sim, neste ano foram produzidos dois vídeos. Um deles é protagonizado por um casal heterossexual (um rapaz e uma moça). O casal hétero se conhece brincando o Carnaval na mesma cidade que a travesti. Eles saem da folia e vão a uma praia, deitam-se na areia e a moça pergunta ao rapaz se ele tem camisinha. Uma voz em off diz que isso rola muito. Mas, antes mesmo que ela possa ficar desapontada, surge de um buraco na areia um caranguejo – ou siri – trazendo uma camisinha a eles. E a voz novamente diz que esperar por isso não rola, que na empolgação rola de tudo e que por isso é sempre bom que se tenha uma camisinha para essas ocasiões.

No outro vídeo, ambientado numa balada, um rapaz vai ao balcão e pede uma bebida à garçonete, que depois de entregar-lhe o drink, também dá a ele um bilhete, olhando à direita. Um outro rapaz sorri ao primeiro. Os dois se aproximam, conversam, sentam-se num sofá e começam a se abraçar. Até que um deles pergunta se o outro tem camisinha. Novamente, a voz em off. E, antes que o que perguntou se decepcione com a negativa, surge uma fadinha trazendo ao casal gay uma camisinha. De novo, a voz diz que esperar por isso não rola e que na empolgação rola de tudo.

Os vídeos seriam dirigidos a heterossexuais e gays, respectivamente. Com as peças audiovisuais, pretendia-se sensibilizar a jovens entre 15 e 24 anos, faixa etária em que a disseminação do HIV ainda é alta. Seriam porque não serão vistos. Foram vetados pelo ministro. Uma fonte disse que o ministro considerou-os abusadinhos demais.

Campanhas de prevenção de doenças fazem parte das estratégias de comunicação do Ministério da Saúde com a população brasileira. Tais estratégias são amplamente discutidas no âmbito das conferências de Saúde, pois o Art. 196 da Constituição Cidadã de 1988 atribui ao Estado a responsabilidade pela garantia do direito à saúde de todos, “mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Além do Art. 196, a Carta Magna dispõe sobre a Saúde nos artigos 197, 198, 199 e 200. Regulamentam tais artigos as leis 8.080/90 e 8.142/90, além de decretos, portarias, normas, pactos etc.

Para elaborar uma campanha de prevenção, o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde define, segundo dados epidemiológicos, a população a ser sensibilizada, que eles nomeiam por “público alvo”. A prioridade é apresentada ao Grupo de Trabalho (GT) de Comunicação, que tem participantes do próprio Departamento, da Assessoria de Comunicação (Ascom) do Ministério da Saúde, da agência de publicidade, do movimento social e da universidade. Essa participação é preconizada pelo inciso III do Art. 198 da Constituição.

Por causa de algumas campanhas consideradas mais polêmicas, até a Ascom da Presidência da República tem de aprovar as campanhas federais. No caso da Saúde, só é submetida a campanha depois de aprovada pela Ascom do Ministério. Se a campanha foi lançada e o ministro considerou os vídeos avançadinhos demais, significa que ele lançou a campanha na Rocinha sem assisti-los?

Por dois anos, eleito pelo movimento social de luta contra a AIDS no Brasil, fiz parte deste GT. Às vezes percebia que duas ou três vírgulas do que falávamos eram ouvidas. Noutras vezes, nem isso. Fiquei bastante satisfeito quando, logo no primeiro ano de participação, o Departamento voltou atrás na intenção de produzir uma campanha de carnaval com pessoas vivendo com HIV/AIDS. Meu argumento era de que sem uma sensibilização anterior, que poderia ser feita pela campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, seríamos ainda mais discriminados. Foi o recuo do Departamento que me levou a repensar a campanha e a sugerir que o GT retomasse a discussão para a campanha do Dia Mundial, o que realmente aconteceu, abrindo espaço para que as pessoas que vivem com HIV/AIDS pudessem também estar na campanha do carnaval do ano seguinte.

Paralelamente à redação desta postagem, uma discussão foi travada nas redes sociais e em algumas listas de discussão. Um representante dos jovens gays interpelou o Ministério, que deu a ele a seguinte resposta: “A campanha de aids está passando por ajustes técnicos, os filmes estão sendo legendados para proporcionar acessibilidade para os deficientes visuais. Em breve, a campanha será lançada em rede nacional de televisão.” Oi??? Filmes legendados para deficientes visuais???

Em 2005, a campanha do Dia Mundial de luta contra a AIDS deveria sensibilizar a população negra. O vídeo custou R$ 15 milhões e não passou nenhuma vez na TV até hoje. No ano passado, o filminho pífio que o Ministério da Saúde fez para o mesmo dia 1º de dezembro passou apenas uma única vez na TV. Não se sabe quanto custou.

Eu vi os vídeos legendados. Portanto, digam que sou chato, que não gosto de nada – o que não é verdade, pois já elogiei campanhas do governo federal neste blog –, etc. Mas não subestimem a minha inteligência. Nem a de ninguém, porque isso é violência institucional a uma das populações que mais precisam ser sensibilizadas. Isso é um atentado ao direito humano à informação à saúde.

PS: os comentários estão abertos, sem moderação. Como sempre estiveram, porque a expressão ainda é livre neste país.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Dança dos Famosos, segundo Beto Volpe

No artigo Dança dos Famosos, publicado originalmente no jornal A Tribuna do Litoral Paulista desta quarta-feira, que o autor reproduz no blog Carga Viral, Beto Volpe aborda um aspecto da AIDS pouco divulgado, os efeitos colaterais dos antirretrovirais, que causaram a morte do ator Rodolfo Bottino.

Vítima de uma embolia cardiovascular em trabalho pré-operatório para uma cirurgia de quadril, provocada por uma osteonecrose, a morte de Bottino não foi por AIDS, mas foi causada pelos efeitos dos medicamentos que o ator tomava para conter a doença. A reflexão do ativista é mais do que oportuna, pois cânceres, demência, osteonecrose e doenças degenerativas têm acometido mais as pessoas que vivem com HIV em tratamento antirretroviral.

Recomendo a leitura do post e de toda a Carga Viral de Beto Volpe.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Campanha "Cabeleireiros contra a Aids" lança calendário 2012 no Rio

Mais uma vez, pelo quarto ano seguido, a Fundação L’Oréal em parceria com a Unesco e apoio do Ministério da Saúde, lança o calendário da campanha Cabeleireiros contra Aids, no qual artistas e badalados cabeleireiros na luta contra o HIV. No calendário, 12 fotos clicadas por Nana Moraes e Daniel Mattar com personalidades conhecidas por todos os brasileiros e looks feitos por diferentes cabeleireiros de distintas partes do país. Em cada mês, uma mensagem de prevenção sobre o HIV/Aids.
Wanderley Estrella e Bruna Linzmeyer durante a produção das fotos para o calendário. Foto: Nana Moraes/divulgação
Com o slogan "Quem cuida da beleza, cuida da saúde", os artistas vestem a camisa da campanha, criada especialmente para o projeto pelo estilista carioca Carlos Tufvesson. Entre as celebridades que participaram desta edição estão Reynaldo Gianecchini, Larissa Maciel, Daniela Escobar, Geovanna Ewbank, Caio Blat, Bruna Linzmeyer (na foto), Lavínia Vlasak, Camila Pitanga, Monique Alfradique, Tainá Muller e Fernanda Tavares. O time de cabeleireiros inclui Jô Nascimento, Wanderley Estrella, Hans Haln e assistente Ely Rodrigues, Ivaldo Lima, Silene Olmo, Matheus Vieira, Célio Faria, John Miyata, César Augusto, Claus Borges, João Coscardo e Edy Clemente.
Cada calendário será vendido por R$ 10 e toda a renda arrecadada será revertida para a Sociedade Viva Cazuza. O lançamento do Calendário 2012 será dia 7 de novembro, no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.
Os calendários poderão ser adquiridos nos melhores salões de beleza do Brasil, cujos endereços poderão ser encontrados no site da campanha (www.cabeleireiroscontraaids.com.br), ou pelo site da Sociedade Viva Cazuza (www.vivacazuza.org.br).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Preparar a volta

Nos últimos dez meses este blog ficou em silêncio. Estive, como sabem alguns leitores, dedicando todo o tempo à minha pesquisa de mestrado.

Brevemente, porque ainda não elaborei um relatório completo nem um artigo com os resultados, posso dizer que em “Constelações sociais no ciberespaço positHIVo: as comunidades virtuais como espaços de promoção da saúde das pessoas que vivem com HIV/AIDS”, estudei as interações de pessoas que vivem com HIV/AIDS (PVHA) em fóruns de discussão de duas comunidades virtuais específicas no Brasil.

Agora começo a pensar em escrever aqui novamente. Ainda que essa retomada possa incluir um outro espaço, não dá pra desprezar o espaço deste blog, que mesmo parado, só no mês de agosto recebeu mais de 1,5 mil visitas. Cerca de 50 pessoas chegam aqui diariamente procurando por informações as mais diversas sobre HIV e Aids.

Enquanto penso, vou atualizar a coluna direita. A blogosfera positHIVa deve ter algumas novidades e uma reorganização, entre outras mudanças já nos próximos dias.  

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Jogo online do Yahoo doará até US$ 100 mil contra a Aids na África

Hoje foi o dia da abertura da Copa do Mundo. Por isso, com sua ajuda, o Yahoo! fará uma super contribuição para a campanha (RED)™ para combater a epidemia de Aids na África. Isso acontecerá por meio do jogo online Yahoo! Penalty. Para cada gol marcado nesta sexta, dia 11 de junho, o Yahoo! fará uma contribuição de 1 dólar (até o limite de US$ 100 mil) para a campanha contra a Aids em toda a África.

O jogo inovador deixa você brincar de bater pênaltis com outros usuários do Yahoo! do mundo todo. O jogo é gratuito e continuará durante a Copa. E ao final da competição online, os dois líderes mundiais na pontuação viajarão para o Rio de Janeiro, Brasil, para competirem em uma disputa de pênaltis ao vivo com o famoso goleiro inglês David Seaman, em busca do Passaporte Yahoo! Esportes, que dará direito a passagens e ingressos para jogos nos próximos quatro anos até a Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

Você pode acessar o jogo pelo link http://bit.ly/brjoinred. Divirta-se a vontade para ajudar na campanha. Faça bons gols.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Game contra Aids ganha US$ 3,9 milhões

0 Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development garantiu um fundo de US$ 3,9 milhões para a Escola de Medicina da Universidade de Yale (EUA). No decorrer de cinco anos os recursos serão usados para desenvolver e testar um jogo online que será chamado de Retro-Warriors e que pretende ensinar adolescentes de diversos grupos étnicos como fazer escolhas saudáveis. A proposta é que os jogadores interpretem seus personagens em um universo virtual, aprendendo a evitar comportamentos de risco que podem levar à infecção pelo HIV.

Além disso, serão conduzidos estudos para tornar o ambiente virtual portátil e global, de modo que possa atingir países onde há maior crescimento da epidemia de AIDS mas que ainda contam com poucas estratégias de educação para redução dos riscos. Os colaboradores serão especialistas em desenvolvimento juvenil, teoria cognitiva social, desenvolvimento de inteligência artificial e profissionais de desenho de jogos (game design).

Talvez estejamos testemunhando um momento singular onde se anuncia a produção de um jogo voltado para a promoção da saúde com recursos suficientes para alcançar qualidades técnicas que rivalizem com os jogos comerciais.

Por Marcelo de Vasconcellos: designer gráfico, é doutorando em Informação e Comunicação em Saúde no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fundação Oswaldo Cruz

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Carnaval se foi, faça o teste de Aids

Mais um Carnaval se foi. Mas, com o fim da folia de Momo, começa a tortura daquelas pessoas que por um motivo ou por outro não usaram preservativo nas relações sexuais. É que, passada a ressaca, muita gente põe a mão na cabeça e começa a se arrepender de não ter usado camisinha. Embora isso não aconteça somente após os quatro dias de esbórnia, nesse período pós-carnavalesco é que as consciências falam mais alto.


Pensando nisso, no último dia 6 de fevereiro, o Ministério da Saúde lançou, na vila olímpica da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, a campanha de prevenção às DST/AIDS. Com cartazes, folhetos informativos, chamadas nas rádios e dois filmes para a TV, a mensagem deste ano foi dirigida a adolescentes de 13 a 19 anos. Nos últimos anos, a infecção por HIV vem crescendo entre meninos gays e meninas nesta faixa etária. O filme para gays tem uma tirada bem legal quando o rapaz puxa do bolso a camisinha e diz: “ah, é você?”. E a camisinha responde: “quem você pensou que fosse, sua identidade?” A frase serve, inclusive, para aqueles homens que fazem sexo com outros homens que não têm identidade homossexual. Muito boa.


Um terceiro filme foi feito para ser exibido após o Carnaval. Nele, a “camisinha” Luana Piovani, no criado-mudo do quarto de um sujeito que não consegue dormir porque transou sem proteção, aconselha às pessoas que também fizeram sexo sem proteção, que façam o teste de Aids. O filme fecha uma campanha bem elaborada, com textos diretos, sem preconceitos ou meias-verdades. Apenas duas coisas me incomodam. A primeira é que o teste não é de Aids, mas para detectar se a pessoa teve ou não contato com o HIV, por isso chamado teste anti-HIV. A segunda é que, apesar do teste ser oferecido sem custo nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) em todo o Brasil, ele não é gratuito. É pago com os nossos impostos. Assim como as propagandas que os governos fazem. Mas explicar isso não vem ao caso e a mensagem está correta porque não se deve pagar nada no posto público de saúde para fazer o teste.


Além disso, a campanha foi amplamente divulgada na TV, nas rádios, nas estações de embarque e desembarque de passageiros do metrô, em terminais de ônibus e em aeroportos. E a iniciativa do Ministério da Saúde de focar a campanha nas redes sociais da internet também foi uma grande tacada. Um único comentário é que a campanha não tinha nada de carnavalesca, ou seja, podia ser lançada e exibida em qualquer época do ano.

Um outro porém é a falta de grafismo nos cartazes. Se foram dirigidos às populações da faixa etária de 13 a 19 anos, devia ter mais grafismo, como a campanha francesa, pra lá de explícita, que está bombando na internet. Criado por Eric Holden e Rémi Noël para a ONG francesa AIDES, o filme mostra um pênis a procura de sexo num banheiro. E só consegue depois que uma garota lhe põe uma camisinha. É muito bom.


Para saber onde há um CTA na sua cidade, disque 0800 61 1997. A ligação é gratuita.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Big Brother, o fantasma da Aids e Foucault

Preconceito é horrível, principalmente quando vem da Alemanha, país que costuma despir-se de preconceitos justamente por ter apoiado o que gerou o holocausto. Aqui, o Big Brother Brasil 10 começou na terça-feira da semana passada. Enquanto era iniciado o Big Brother Brasil LGBT – sim, porque na “casa mais vigiada do Brasil” (aka Pedro Bial) a comunidade é maior que os 10% que se reivindicava da população – na Alemanha o participante tatuador desistiu de concorrer a um prêmio de 250 mil euros porque descobriu que o casal gay da casa é soropositivo. Preconceito é f***!

Como um tatuador de 41 anos, que teoricamente viveu a explosão da Aids dos anos 80 à metade dos 90, pode ser tão preconceituoso? Será que é preconceito meu achar que por ter vivido a pior época – a sentença de morte sem as drogas antirretrovirais – da epidemia o tatuador alemão não pode ter preconceito? Se o tatuador não usar luvas e agulhas descartáveis e separar as tintas em pequenas porções individuais, ele teoricamente também poderia transmitir ou infectar-se por HIV. Fico pensando em quantas pessoas soropositivas já tatuou. E me espanta mais ainda o fato de trabalhar com uma profissão de risco, cujos cuidados são fundamentais para evitar a propagação do vírus.

No BBB 8, uma participante falou que tinha perdido um amigo usuário de droga injetável por Aids. Mas o contexto ao que ela referiu foi tão surreal, pra dizer o mínimo, que foi amplamente ignorado pelos demais participantes e nem entrou nas edições da TV aberta. A Aids ainda não chegou à casa do BBB 10. Mas, no último domingo, enquanto se formava o primeiro paredão da edição, especulava-se no Twitter se Marcelo Dourado não estaria com AIDS. De fato, o “re-BBB” está com o rosto mais magro e exibe bem menos cabelo do que tinha na edição que participou, o BBB 4.

Mas Aids não tem cara. Quando as pessoas vão se acostumar com essa ideia? Aliás, a Aids pós-tratamento antirretroviral tem muitas caras, todas infinitamente diferentes daquela que Cazuza estampou na capa da Veja quando assumiu sua doença diante do Brasil. Atualmente, a cara da Aids é jovem, tem corpo musculoso; é velha, tem pneus na cintura, pernas finas e giba no ombro; é mulher, tem ombros largos e barriga que parece de gravidez. Mas a Aids tem a cara, preferencialmente, de quem procura a Aids na cara das pessoas. Porque é ela quem está mais vulnerável à Aids.

Adoro Big Brother. Já cobri vários. Alguns deles, começava a trabalhar às 8 da noite e só parava de manhã. Em noites mais movimentadas ia dormir às 2 da tarde porque o dia emendava a noite e eu simplesmente não conseguia parar de trabalhar. Fui eu quem deu a foto, reproduzida da TV por uma máquina digital que armazenava arquivos em disquete, da primeira relação sexual no BBB, se não me engano, a segunda edição. Já tive época de cobrir BBB e Casa dos Artistas juntos. Já trabalhei munido de um arsenal com um computador e um notebook conectados à internet, dois aparelhos de TV, um telefone fixo, um celular e um rádio, cobrindo os dois reality show simultaneamente. Comprei a maioria deles, perdi poucos. Não vou comprar a atual edição porque tenho de me dedicar ao meu mestrado.

Hoje assisto por diletantismo. Alguns amigos me criticam, não entendem como perco tempo com Big Brother. Gosto de BBB porque lá temos um laboratório espetacular para a análise do comportamento humano. Acho que meu filósofo preferido, o Foucault, também gostaria de Big Brother se ainda estivesse vivo, se não tivesse morrido de Aids em 1984, ainda nos primeiros anos da epidemia. Ele talvez dissesse que, no Big Brother, o discurso da sexualidade e da política são exercidos, de forma privilegiada, como “alguns de seus mais temíveis poderes”. E não ligo para o preconceito dos meus amigos que ainda não leram Foucault.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Beijo polêmico, mas cidadão

O Jornal da Band, da paulista TV Bandeirantes questionou na quinta-feira (03) o filme publicitário da campanha que o Ministério da Saúde produziu para o Dia Mundial de luta contra a AIDS, lançada em 1º de dezembro. O beijo entre um casal heterossexual (um homem e uma mulher) sorodiscordante (ele tem HIV e ela não), repercurtiu mal no Morumbi, bairro da classe média alta paulistana onde a emissora está localizada.

A possibilidade de transmissão do HIV pelo beijo é mínima. Pode ocorrer apenas se as duas pessoas estiverem sangrando (será que alguém cogitaria beijar outra pessoa com sangramento? Será que é grande a probabilidade de duas duas pessoas com sangramento beijar-se?).

No vídeo abaixo, a reportagem do Jornal da Band.


A campanha
O beijo está inserido em uma das mais sensíveis e corretas das campanhas do Ministério da Saúde sobre HIV. Pelo menos na minha opinião, que defendo, como as professoras Inesita Araújo e Janine Cardoso, ambas do ICICT/Fiocruz, que saúde não deve ser "vendida" como uma nova marca de tênis, de automóvel ou o lançamento de um apartamento. Saúde não é comércio, é um direito humano fundamental.

As pessoas que vivem com HIV/AIDS (PVHA) têm o direito de não sofrer preconceito ou discriminadas na rua, como aconteceu com o ator Cazu Barroz nesta semana num ônibus em Copacabana, no Rio. Cazu foi um dos protagonistas do filme de campanha similiar, produzida em 2006, e é um dos três brasileiros em recente campanha que o UNAIDS lançou em toda a América Latina.



Da mesma forma, a população têm o direito fundamental a informações corretas sobre saúde (beijo, abraço, convívio social e afetivo não transmitem o HIV). É obrigação constitucional do Ministério da Saúde comunicar à população as informações científicas de forma clara e compreensível para o maior número possível de pessoas. Isso também é cidadania.

Ah, os outros filmes que gostei foram os produzidos para a campanha do Dia Mundial de luta contra a AIDS de 2006, com os também PVHA Beatriz Pacheco e Cazu Barroz, os quais tive a honra de colaborar, enquanto estive no Grupo de Trabalho de Comunicação do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

sábado, 21 de novembro de 2009

Populações discriminadas pedem respeito em campanha da ONU

Na última segunda-feira (16), estive no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, para o lançamento da campanha Igual a Você, assinada por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e por segmentos da sociedade civil brasileira (veja abaixo). A realidade de estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis, e usuários de drogas é de enfrentamento do preconceito. Integram a campanha Igual a Você dez filmes de 30 segundos, que tem por objetivos promover a igualdade de direitos de homens, mulheres e crianças que são diariamente discriminadas no Brasil.



Durante a cerimônia de lançamento, agências da ONU que assinam a campanha deram um panorama da realidade de cada população – estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas –, e apresentaram os dez filmes de 30 segundos que integram a campanha. Os filmes estão disponíveis para veiculação em emissoras de televisão de todo o país, e também na página do UNAIDS Brasil no YouTube.



Igual a Você é uma série de filmetes de 30 segundos contra o estigma e o preconceito, dá voz e visibilidade aos direitos humanos das populações-alvo da campanha. Os filmes, produzidos pela agência [X]Brasil – Comunicação em Causas Públicas e gravados em estúdio com trilha sonora original de Felipe Radicetti, apresentam mensagens de lideranças de cada um dos grupos discriminados, levando em consideração diversidades de idade, raça, cor e etnia.

Sensível, Igual a Você tem um texto base para todas as populações retratadas na campanha. Alguns filmes, como o de crianças nas escolas, o de crianças vivendo com HIV/AIDS, o da população negra, o de usuários de drogas e o de refugiados têm textos diferentes, mas tão sensível quanto os outros. Apesar dessa linearidade, na qual os filmes ficaram bastante parecidos, gosto muito do filme de pessoas vivendo com HIV/AIDS (não pelo fato de eu estar nele), o de crianças vivendo com HIV/AIDS e o de prostitutas. É que o tom das falas faz toda a diferença.

Enfim, Igual a Você é uma campanha contra o estigma, o preconceito e a discriminação na qual as populações discriminadas mostram seus rostos e pedem o respeito que merecem da sociedade brasileira.

Assinatura da campanha Igual a Você:
Nações Unidas - UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), com apoio do UNIC Rio (Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil)

Sociedade Civil: ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), AMNB (Associação Brasileira de Mulheres Negras Brasileiras), ANTRA (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros), Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+ / MNCP / RNAJVHA) e Rede Brasileira de Prostitutas.

sábado, 24 de outubro de 2009

Um beijo contra o preconceito

O Ministério da Saúde começou a escolher, nesta semana, dois casais sorodiscordantes para protagonizarem a campanha “Viver com AIDS é possível. Com o preconceito não.” As frases-slogan vão apresentar as peças publicitárias que serão produzidas em alusão ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS, no próximo dia 1º de dezembro de 2009.

A campanha vai abordar o preconceito que grande parte da sociedade brasileira ainda nutre pelas pessoas soropositivas para o HIV. O que parece contradição diante dos resultados de pesquisas que mostram que a maioria das pessoas sabem como se pega e como não se pega AIDS e que o uso de preservativo é ainda o único método seguro para se ter uma vida sexual ativa sem enfrentar o risco de se infectar com o vírus.



Para combater o preconceito, as peças da campanha usarão imagens de beijos, símbolo de amor e amizade, que no campo da Aids assume outras conotações. Segundo explicação no texto divulgado nesta semana pela Unidade de Articulação com a Sociedade Civil e Direitos Humanos (SCDH) do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, “o beijo mostra que não se transmite o HIV dessa forma, que pessoas que vivem com HIV/aids podem e devem se relacionar, que a solidariedade precisa ser praticada”.

Preconceito é uma ideia, sentimento ou opinião, favorável ou desfavorável, (pré)concebido sem exame crítico. A discriminação decorrente do preconceito é todo ato de exclusão, de situar alguém ou alguma coisa à margem. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “tratar mal ou de modo injusto, desigual, um indivíduo ou grupo de indivíduos, em razão de alguma característica pessoal, raça, etnia, classe social, convicções etc.”.

Segundo a SCDH, o slogan da campanha “exige que a criação dos materiais conte com personagens da vida real”. Por isso a seleção dos casais sorodiscordantes, aqueles nos quais um dos parceiros (as) sexuais é soropositivo (a) para o HIV. Eu mesmo ajudei a divulgar o recrutamento nas listas que participo porque acredito que a participação e o protagonismo das pessoas que vivem com HIV transmite credibilidade para mostrar que essa realidade é possível.

Para os fôlderes e cartazes que serão veiculados em trens e estações urbanos e de metrô em âmbito todo o Brasil, inclusive com vídeo produzido para exibição nos cinemas e na TV, serão selecionados três casais heterossexuais e para a gravação do vídeo e servirem de modelos nos outros materiais. Também serão selecionados dois casais homossexuais para a produção de outro material gráfico, dirigidos especificamente para homossexuais masculinos, com veiculação restrita. Entre as opções de casais, apenas um casal heterossexual será escolhido para protagonizar a campanha e outro homossexual para protagonizar as campanhas gráficas dirigidas.



A campanha tem forte inspiração no trabalho desenvolvido pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz, radicado em Nova York, que no último dia 20 de setembro reuniu cerca de mil pessoas vivendo e convivendo com HIV e AIDS em um ginásio de esportes de Guarulhos, cidade da região metropolitana de São Paulo, fotografadas com grandes cartões fotográficos formando enormes painéis que retratavam beijos entre pessoas sorodiscordantes (nas fotos desta postagem, de Magda Fernanda/ASCOM). Ainda que o trabalho tivesse por objetivo produzir uma obra para doação a um museu de arte brasileiro, ele também deve compor a campanha.

Até quinta-feira (22/10) os casais sorodiscordantes interessados que tivessem entre 27 e 45 anos e um tipo físico tipicamente brasileiro (mais para o moreno que para o loiro, branco e com olhos azuis) puderam enviar fotos para a Assessoria de Comunicação (ASCOM) do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais. Seria bem interessante que os casais escolhidos pudessem representar toda a faixa etária delimitada, principalmente a que está em torno dos 40 anos, não contemplada na campanha do “Clube dos Enta”, no ano passado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PVHA participam de campanha latino-americana sobre AIDS

A América Latina é o terceiro continente com as maiores incidência e prevalência de AIDS no planeta, só perdendo para África e Ásia, respectivamente. Por isso, uma parceria entre 13 emissoras de televisão de 13 países latino-americanos lançou nesta quarta-feira, 13 histórias de pessoas que vivem com HIV e AIDS (PVHA) no continente, com a campanha “Paixão pela Vida”.

Das 13 histórias contadas, três são de brasileiros: o ator Cazu Barroz, que vive com HIV há 20 anos e foi protagonista da Campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS do Ministério da Saúde em 2007, a dona de casa Jucimara Moreira e a educadora e atriz Cilene Sá. Todas as histórias têm o mesmo formato: vídeos de 30 segundos e de um minuto, além de spots para rádio.

No Brasil, “Paixão pela Vida” tem o apoio da Rede Globo de Televisão, uma das fundadoras da Iniciativa de Mídia Latino-Americana sobre AIDS (IMLAS, na sigla em espanhol). A iniciativa, criada em janeiro deste ano por uma coalizão das 13 maiores emissoras de radiodifusão na América Latina, tem apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundação Huésped, The Kaiser Family Foundation. Lançada fevereiro, a IMLAS tem por objetivos fortalecer e aumentar a efetividade da contribuição dos meios de comunicação, em resposta à AIDS, além de desenvolver uma resposta coordenada da mídia.

A campanha, que pretende fazer parte de uma resposta da América Latina ao HIV pode ser vista no site Paixão pela Vida, onde podem ser assistidos aos vídeos, acessadas as histórias pessoais, baixar wallpapers, jogar games online, buscar informações sobre o HIV e a AIDS e os locais para fazer o teste que detecta anticorpos para o HIV no sangue.

Assim como as emissoras de radiodifusão e os demais parceiros, esperamos que essa resposta latino-americana possa contribuir para diminuir a incidência de HIV na região.

domingo, 13 de setembro de 2009

Top 2 Saúde Pessoal: uma dedicatória

Talvez tenha sido relativamente fácil figurar entre os TOP 100 da categoria Saúde no Prêmio TOP BLOG. Afinal, apenas 332 blogs inscritos na categoria disputavam três subcategorias (pessoal, profissional, corporativo) com dois votos cada, o voto popular e do júri acadêmico. Mais que mero reconhecimento, foi um grande e valoroso incentivo.


Mas ter recebido o TOP 2 foi uma honra unida a uma enorme responsabilidade. Não apenas a devida ao corpo de jurados, mas aos amigos e amigas que incentivaram e continuam a incentivar. Por isso, quero agradecer, mais uma vez, e agora nominalmente àqueles e àquelas a quem devo esta credibilidade.

Primeiramente, à grande amiga de todas as horas, a jornalista Cristiana Couto. Especializada em gastronomia, iniciamos e terminamos juntos a graduação em jornalismo. Ela é autora do Seja bem vinho e, indiretamente, foi dela a “inspiração” que motivou a criação deste blog.

Também, à incentivadora acadêmica Cristina Câmara. Doutora em antropologia e mestre em sociologia, é autora do Cultura, Política e Gestão. Foi dela, por exemplo, o incentivo para escrever o trabalho “Blogosfera PositHIVa, uma experiência em rede”, apresentado na modalidade de multimídia no VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS, entre tantos outros empurrões.

Também quero nomear o Henrique Quintana, cujo heterônimo é autor do Blog do Tiago+, que com mais de 60 mil visitas e uma regularidade surpreendente fala de soropositividade, espiritualidade e comportamento. Não dá pra esquecer – jamais – de outra guerreira, a trans-oceânica, Maria Vital, autora do sensível, inteligente e ativista Tempo de Janela. Tiago e Mié são dois queridos. Volta e meia passam por aqui e deixam um comentário carinhoso.

Agradeço à Andrea Domanico, atualmente em temporada norte-americana na Universidade Johns Hopkins, mas nem por isso menos presente.

Ainda, à minha querida Naíme Silva, psicóloga, educadora e bruxa, autora do Nova Terra.

Ao casal Flavio Lenz e Gabriela Leite, agradeço imensa e profundamente pelo carinho, acolhida e generosidade. Ele, jornalista, autor e editor do jornal Beijo da Rua. Ela, fundadora da ONG Davida e criadora da grife Daspu.

Ainda, ao dr. Pedro Chequer, coordenador do escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e AIDS (UNAIDS) no Brasil, pelo apoio e reconhecimento.

E finalmente, agradeço a você que acompanha esta minha jornada já não tão solitária. A vocês todos aqui elencados, dedico este prêmio. Obrigado.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Top 3, Brasil!

Se eu contasse, você não iria acreditar. Se você me contasse, EU não iria acreditar. Eis que recebo um e-mail do Top Blog, dizendo que estas SaudAids está entre os cem blogs - o Top 100 - inscritos na categoria Saúde / Pessoal. E mais, é um dos três escolhidos pelo júri acadêmico para o Top 3!!! É muita felicidade!!!

E um grande incentivo. É a prova que, mesmo rastejando -algumas vezes-, o blog consegue atingir o objetivo para o qual ele foi se moldando. É verdade. Construí este blog porque achei legal o blog de uma grande amiga. No começo, tinha um fundo preto e um amigo disse que dificultava a leitura, que fugia do padrão. Pestanejei, mas mudei. Ao longo do tempo - e do conteúdo nele inserido - o blog foi adquirindo personalidade própria. E é o que você lê.

Sei que não tenho dado a atenção que o blog merece (e a partir de agora, com o mestrado, talvez receba menos atenção ainda), mas é o que tenho conseguido postar. Aliás, prometo escrever neste feriado um post bem bacana, sobre uma campanha que usa uma determinada figura histórica para fazer prevenção à AIDS.

Tenha certeza que fico muito feliz quando tenho de responder a um comentário. Seja ele positivo ou negativo. A crítica é como um esmeril. Antecipadamente, quero agradecer às pessoas que votaram no blog. E no júri que o escolheu como um dos três melhores. O incentivo é maravilhoso! Mas, agradeço, principalmente, àquel@s leitor@s fiéis, que passam aqui apenas pra ler minha nova sandice. Obrigado!

domingo, 30 de agosto de 2009

Um prêmio cheio de carinho e afeto

Acordo, ligo o computador e faço meu café. Bebo o líquido negro e despertador lendo o comentário que Maria Vital, do blogue Tempo de Janela deixou no post anterior. Com o comentário, fico sabendo que ela me concedeu o prêmio "Comprometidos y Más 2009" (comprometidos e mais).

Este prêmio foi concebido para assinalar blogues comprometidos culturalmente, politicamente, socialmente..., por isso devo nomear cinco blogues que na minha perspectiva reúnam os requisitos nele assinalados.


Sendo assim nomeio os seguintes blogues:

Blog do Tiago+
Com camisinha
Diário HIV Vida
Sieropositiva
Cultura, Política e Gestão.

sábado, 29 de agosto de 2009

RNP+ Brasil reinventa ativismo na Paraíba

Simoni e Elifrank são soropositivos para o HIV. Ela do centro-oeste e ele do nordeste do país, eles se conheceram durante o II Encontro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+ Brasil), realizado em agosto de 2007 na cidade de Manaus. Alguns meses depois ele deixou a capital amazonense Manaus rumo a Cuiabá, onde ela vivia e estão juntos desde então.

Elifrank e Simoni decidiram celebrar esta união durante o III Encontro da RNP+ Brasil, realizado de 18 a 21 de agosto de 2009 em Campina Grande, na Paraíba, ao lado de seus pares – no caso, outras 250 pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Na cerimônia simbólica, o secretário nacional da rede “abençoou” o casal. E um integrante do Distrito Federal leu algumas passagens bíblicas. Teve beijo e bolo de verdade e bênção de mentirinha. Os noivos tiveram padrinhos e madrinhas de todas as regiões do Brasil.

Apesar do incômodo, percebi a ação afirmativa no ato cerimonial. Um homem e uma mulher soropositivos que se entregam novamente ao impulso, ao desejo, à paixão e ao amor; juntam seus caminhos e seguem unidos pela vida, porque acreditam nela. É verdade que aumentou a expectativa de vida depois de mais de 25 anos, beirando a terceira década da epidemia de AIDS no mundo e por isso fazemos planos para o futuro.

Eu mesmo, 21 anos depois de diagnosticado positivo para o HIV, e há 17 anos fazendo uso de medicamentos antirretrovirais, passei em terceiro lugar num mestrado e estou mudando de cidade para fazer o curso. Aumentou a expectativa de vida porque aumentou nossa qualidade de vida. Simoni e Elifrank celebraram a vida.

Embora a cerimônia do casal tenha sido a primeira notícia recente, um dia antes do início do evento, o III Encontro Nacional da RNP+ Brasil, que teve por tema a frase “Celebrando a Rede, Revendo as Conquistas e Reinventando o Ativismo”, foi melhor que o segundo e que o primeiro encontro juntos em qualidade de discussões, debates, proposições, capacitação e resolução. A principal delas foi a mudança de metodologia. Ao invés de centenas de propostas para o legislativo, executivo e judiciário, apenas um documento político, intitulado Carta de Campina Grande, com reflexões voltadas mais para o processo interno da RNP+ Brasil do que para os contextos e as conjunturas externas, ainda que também as contenha.

Aprovada no mérito, a Carta de Campina Grande será construída a partir das relatorias e dos vídeos gravados dos quatro (“rumos”, “seguridade social, políticas públicas e controle social”, “direitos humanos” e “relações e políticas internacionais”) eixos (mesas expositivas seguidas de debate e grupos de discussão e trabalho), e das oficinas (“vacinas anti-HIV”, “casas de apoio” e “co-infecção tuberculose + HIV”) capacitadoras. O documento trará uma firme oposição da RNP+ Brasil à criminalização pela transmissão do HIV, a necessidade de revisão da legislação que regulamenta as casas de apoio às pessoas doentes de AIDS e a dificuldade de acesso à elaboração, implementação e fiscalização das metas e dos recursos financeiros dos Planos de Ações e Metas (PAM) de alguns estados e municípios diametralmente oposta à credibilidade que a RNP+ Brasil tem em outros estados, municípios e no âmbito federal.

Internamente, a carta apontará a dificuldade de comunicação interna e vai levantar a necessidade de capacitações à distância e por meio dos grupos de trabalho (GT) criados: GT Criminalização, GT Política de Drogas, GT Trans+ e GT de Seguridade Social. Também vai pincelar questões sobre direitos e deveres das PVHA, cuja carta de direitos fundamentais das pessoas vivendo com HIV/AIDS faz 20 anos, além de outros pontos não menos importantes.

Finalmente, elegemos nossas representações nacionais na Comissão Nacional de DST e AIDS (CNAIDS), para a Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS) e Comitê de Vacinas, instâncias do Departamento de DST/AIDS do Ministério da Saúde; definimos representantes para o Grupo Temático ampliado do UNAIDS no Brasil (GT UNAIDS) e para a REDLA+ (Rede Latino-americana de PVHA) e fizemos nossa indicação para o representante do movimento brasileiro de luta contra a AIDS no Conselho Nacional de Saúde, a ser referendado em novembro, em encontro de ONG/Aids de todo Brasil no Rio de Janeiro.

Além das questões políticas, é bom encontrar nossos pares, conhecidos, amigos e pessoas a quem nutrimos grande carinho. É bom rever pessoas como a gente, que apesar de viver com HIV, continuam sendo parte da solução e não o problema da epidemia de AIDS no mundo. Até 2011, em São Paulo. E viva a vida!

Publicado originalmente no site gay.com.br

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Saúde usa internet para prevenir a Aids

Twitter, redes sociais como Orkut e Facebook, divulgação maciça na internet. Esta é a estratégia do Ministério da Saúde para combater o HIV, vírus que provoca a Aids.

Em dezembro de 2007, uma das estratégias da campanha “Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids” foi o lançamento de um blog, já tirado do ar. A campanha, que se propunha a sensibilizar pessoas da faixa etária dos 13 aos 24 anos, contava com outras estratégias de mídia além da veiculação de spots no rádio e de filmes publicitários na TV para atingir seus objetivos.

Desde a semana passada, o ministério vem trabalhando incansavelmente nas comunidades “Atitude contra a AIDS” no Orkut e no Facebook. ideia surgida a partir dos resultados da Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas 2008 (PCAP), que mostrou que 10,5% dos jovens já tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceram na internet.

“Antes as pessoas se relacionavam com seus vizinhos, amigos da escola, parceiros de trabalho, em círculos mais restritos. A internet abriu novas possibilidades de encontros”, afirmou a diretora do Departamento de DST e Aids, Mariângela Simão, quando da divulgação dos dados da PCAP.

O estudo sobre comportamento sexual mostrou que 61% dos jovens de 15 a 24 anos usaram camisinha na primeira relação sexual. Depois dela, porém, o uso cai – 50% das pessoas nessa faixa etária usam preservativo com os parceiros casuais. A redução mostra que, quando se estabelece uma relação de confiança entre os jovens, o preservativo deixa de ser prioridade. Por isso – afirma Mariângela Simão – é necessário usar novas formas de comunicação para tornar a mensagem sobre prevenção uma constante na vida do jovem.

Até duas semanas atrás, o ministério usava dois perfis distintos no Twitter. Um deles era exclusivo para divulgar dados e responder a dúvidas sobre a Gripe A, provocada pelo vírus H1N1. No outro perfil, a divulgação sobre o HIV, vírus que provoca a Aids. Os perfis foram unificados e o Ministério da Saúde pode ser acessado em um único no Twitter.

Cadastrados com perfil no Orkut podem acessar a comunidade “Atitude contra a Aids” aqui, que já tem 285 participantes. E no Facebook, aqui, com 313 fãs.

Além das comunidades no Orkut e no Facebook, estão previstos novos espaços direcionados para jovens no portal oficial do governo federal sobre Aids mantido na internet, além de uma atuação mais forte em páginas direcionadas a públicos específicos, como os gays.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Reality da Globo reflete preconceito social

Os meios de comunicação são muito engraçados, pra ser bem polite. Li na coluna 'Outro Canal', assinada pelo jornalista Daniel Castro, na Folha de S. Paulo, que a apresentação de 19 dos 20 candidatos que estarão na disputa pelo prêmio do reality show “No Limite 4”, da Rede Globo, foi atrasada. O motivo? Dos 19, “seis apresentaram problemas de saúde”, afirma o colunista. “Os exames realizados pela Globo revelaram que um deles tem HIV e que outro é cardíaco.”

Sabe o que é engraçado? É que no “Big Brother Brasil 9” uma das participantes tem diabetes. Inclusive, uma das broncas mais famosas do diretor do programa foi vista milhares de vezes no YouTube. Ana usava o alicate de unhas no pé de Naiá quando é ouvida a voz do diretor: “dona Ana Carolina, este é um aviso pra senhora e pra dona Naiá. Esse alicate não está esterilizado. A dona Naiá é diabética. Se esta merda inflamar, eu vou arrancar o seu braço. Então, para de brincar com o alicate”.

Quer dizer, a “emissora exige que os participantes de seus reality shows sejam saudáveis” para poder arrancar o braço deles. Ironias a parte, pode-se argumentar que “No Limite” é um reality no qual os participantes disputam prêmios em provas que exigem muito mais da resistência física do que o “Big Brother Brasil”, que é mais um jogo de estratégias de convivência.

O episódio revela que a Globo reflete o que acontece na sociedade: as empresas fazem o teste de HIV no exame médico admissional e editais de concursos proíbem o ingresso de soropositivos na carreira pública. Ambos são ilegais.

Assim como as empresas públicas ou privadas, a Globo não quer pessoas soropositivas em seu elenco. Mas, a próxima novela das 21h deve trazer, a exemplo de “Páginas da Vida”, depoimentos de pessoas portadoras de deficiência. Aí foram incluídas aquelas que adquiriram a deficiência pós-HIV. Parece que nós, pessoas que vivemos com Aids, somos incluídas apenas quando é para sensibilizar a sociedade. Na hora de nos ajudarem com acesso ao trabalho e a uma vida digna, não somos nada.