Simoni e Elifrank são soropositivos para o HIV. Ela do centro-oeste e ele do nordeste do país, eles se conheceram durante o II Encontro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+ Brasil), realizado em agosto de 2007 na cidade de Manaus. Alguns meses depois ele deixou a capital amazonense Manaus rumo a Cuiabá, onde ela vivia e estão juntos desde então.
Elifrank e Simoni decidiram celebrar esta união durante o III Encontro da RNP+ Brasil, realizado de 18 a 21 de agosto de 2009 em Campina Grande, na Paraíba, ao lado de seus pares – no caso, outras 250 pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Na cerimônia simbólica, o secretário nacional da rede “abençoou” o casal. E um integrante do Distrito Federal leu algumas passagens bíblicas. Teve beijo e bolo de verdade e bênção de mentirinha. Os noivos tiveram padrinhos e madrinhas de todas as regiões do Brasil.
Apesar do incômodo, percebi a ação afirmativa no ato cerimonial. Um homem e uma mulher soropositivos que se entregam novamente ao impulso, ao desejo, à paixão e ao amor; juntam seus caminhos e seguem unidos pela vida, porque acreditam nela. É verdade que aumentou a expectativa de vida depois de mais de 25 anos, beirando a terceira década da epidemia de AIDS no mundo e por isso fazemos planos para o futuro.
Eu mesmo, 21 anos depois de diagnosticado positivo para o HIV, e há 17 anos fazendo uso de medicamentos antirretrovirais, passei em terceiro lugar num mestrado e estou mudando de cidade para fazer o curso. Aumentou a expectativa de vida porque aumentou nossa qualidade de vida. Simoni e Elifrank celebraram a vida.
Embora a cerimônia do casal tenha sido a primeira notícia recente, um dia antes do início do evento, o III Encontro Nacional da RNP+ Brasil, que teve por tema a frase “Celebrando a Rede, Revendo as Conquistas e Reinventando o Ativismo”, foi melhor que o segundo e que o primeiro encontro juntos em qualidade de discussões, debates, proposições, capacitação e resolução. A principal delas foi a mudança de metodologia. Ao invés de centenas de propostas para o legislativo, executivo e judiciário, apenas um documento político, intitulado Carta de Campina Grande, com reflexões voltadas mais para o processo interno da RNP+ Brasil do que para os contextos e as conjunturas externas, ainda que também as contenha.
Aprovada no mérito, a Carta de Campina Grande será construída a partir das relatorias e dos vídeos gravados dos quatro (“rumos”, “seguridade social, políticas públicas e controle social”, “direitos humanos” e “relações e políticas internacionais”) eixos (mesas expositivas seguidas de debate e grupos de discussão e trabalho), e das oficinas (“vacinas anti-HIV”, “casas de apoio” e “co-infecção tuberculose + HIV”) capacitadoras. O documento trará uma firme oposição da RNP+ Brasil à criminalização pela transmissão do HIV, a necessidade de revisão da legislação que regulamenta as casas de apoio às pessoas doentes de AIDS e a dificuldade de acesso à elaboração, implementação e fiscalização das metas e dos recursos financeiros dos Planos de Ações e Metas (PAM) de alguns estados e municípios diametralmente oposta à credibilidade que a RNP+ Brasil tem em outros estados, municípios e no âmbito federal.
Internamente, a carta apontará a dificuldade de comunicação interna e vai levantar a necessidade de capacitações à distância e por meio dos grupos de trabalho (GT) criados: GT Criminalização, GT Política de Drogas, GT Trans+ e GT de Seguridade Social. Também vai pincelar questões sobre direitos e deveres das PVHA, cuja carta de direitos fundamentais das pessoas vivendo com HIV/AIDS faz 20 anos, além de outros pontos não menos importantes.
Finalmente, elegemos nossas representações nacionais na Comissão Nacional de DST e AIDS (CNAIDS), para a Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS) e Comitê de Vacinas, instâncias do Departamento de DST/AIDS do Ministério da Saúde; definimos representantes para o Grupo Temático ampliado do UNAIDS no Brasil (GT UNAIDS) e para a REDLA+ (Rede Latino-americana de PVHA) e fizemos nossa indicação para o representante do movimento brasileiro de luta contra a AIDS no Conselho Nacional de Saúde, a ser referendado em novembro, em encontro de ONG/Aids de todo Brasil no Rio de Janeiro.
Além das questões políticas, é bom encontrar nossos pares, conhecidos, amigos e pessoas a quem nutrimos grande carinho. É bom rever pessoas como a gente, que apesar de viver com HIV, continuam sendo parte da solução e não o problema da epidemia de AIDS no mundo. Até 2011, em São Paulo. E viva a vida!
Publicado originalmente no site gay.com.br
sábado, 29 de agosto de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Saúde usa internet para prevenir a Aids
Twitter, redes sociais como Orkut e Facebook, divulgação maciça na internet. Esta é a estratégia do Ministério da Saúde para combater o HIV, vírus que provoca a Aids.
Em dezembro de 2007, uma das estratégias da campanha “Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids” foi o lançamento de um blog, já tirado do ar. A campanha, que se propunha a sensibilizar pessoas da faixa etária dos 13 aos 24 anos, contava com outras estratégias de mídia além da veiculação de spots no rádio e de filmes publicitários na TV para atingir seus objetivos.
Desde a semana passada, o ministério vem trabalhando incansavelmente nas comunidades “Atitude contra a AIDS” no Orkut e no Facebook. ideia surgida a partir dos resultados da Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas 2008 (PCAP), que mostrou que 10,5% dos jovens já tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceram na internet.
“Antes as pessoas se relacionavam com seus vizinhos, amigos da escola, parceiros de trabalho, em círculos mais restritos. A internet abriu novas possibilidades de encontros”, afirmou a diretora do Departamento de DST e Aids, Mariângela Simão, quando da divulgação dos dados da PCAP.
O estudo sobre comportamento sexual mostrou que 61% dos jovens de 15 a 24 anos usaram camisinha na primeira relação sexual. Depois dela, porém, o uso cai – 50% das pessoas nessa faixa etária usam preservativo com os parceiros casuais. A redução mostra que, quando se estabelece uma relação de confiança entre os jovens, o preservativo deixa de ser prioridade. Por isso – afirma Mariângela Simão – é necessário usar novas formas de comunicação para tornar a mensagem sobre prevenção uma constante na vida do jovem.
Até duas semanas atrás, o ministério usava dois perfis distintos no Twitter. Um deles era exclusivo para divulgar dados e responder a dúvidas sobre a Gripe A, provocada pelo vírus H1N1. No outro perfil, a divulgação sobre o HIV, vírus que provoca a Aids. Os perfis foram unificados e o Ministério da Saúde pode ser acessado em um único no Twitter.
Cadastrados com perfil no Orkut podem acessar a comunidade “Atitude contra a Aids” aqui, que já tem 285 participantes. E no Facebook, aqui, com 313 fãs.
Além das comunidades no Orkut e no Facebook, estão previstos novos espaços direcionados para jovens no portal oficial do governo federal sobre Aids mantido na internet, além de uma atuação mais forte em páginas direcionadas a públicos específicos, como os gays.
Em dezembro de 2007, uma das estratégias da campanha “Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids” foi o lançamento de um blog, já tirado do ar. A campanha, que se propunha a sensibilizar pessoas da faixa etária dos 13 aos 24 anos, contava com outras estratégias de mídia além da veiculação de spots no rádio e de filmes publicitários na TV para atingir seus objetivos.
Desde a semana passada, o ministério vem trabalhando incansavelmente nas comunidades “Atitude contra a AIDS” no Orkut e no Facebook. ideia surgida a partir dos resultados da Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas 2008 (PCAP), que mostrou que 10,5% dos jovens já tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceram na internet.
“Antes as pessoas se relacionavam com seus vizinhos, amigos da escola, parceiros de trabalho, em círculos mais restritos. A internet abriu novas possibilidades de encontros”, afirmou a diretora do Departamento de DST e Aids, Mariângela Simão, quando da divulgação dos dados da PCAP.
O estudo sobre comportamento sexual mostrou que 61% dos jovens de 15 a 24 anos usaram camisinha na primeira relação sexual. Depois dela, porém, o uso cai – 50% das pessoas nessa faixa etária usam preservativo com os parceiros casuais. A redução mostra que, quando se estabelece uma relação de confiança entre os jovens, o preservativo deixa de ser prioridade. Por isso – afirma Mariângela Simão – é necessário usar novas formas de comunicação para tornar a mensagem sobre prevenção uma constante na vida do jovem.
Até duas semanas atrás, o ministério usava dois perfis distintos no Twitter. Um deles era exclusivo para divulgar dados e responder a dúvidas sobre a Gripe A, provocada pelo vírus H1N1. No outro perfil, a divulgação sobre o HIV, vírus que provoca a Aids. Os perfis foram unificados e o Ministério da Saúde pode ser acessado em um único no Twitter.
Cadastrados com perfil no Orkut podem acessar a comunidade “Atitude contra a Aids” aqui, que já tem 285 participantes. E no Facebook, aqui, com 313 fãs.
Além das comunidades no Orkut e no Facebook, estão previstos novos espaços direcionados para jovens no portal oficial do governo federal sobre Aids mantido na internet, além de uma atuação mais forte em páginas direcionadas a públicos específicos, como os gays.
sábado, 25 de julho de 2009
O lacinho vermelho
me rindo
me gozando
me bastando
hoje ainda sou um lacinho vermelho
de camisinha
te dizendo coisas sem sentido
hoje sou seu lacinho vermelho
sem camisinha
amanhã um lacinho vermelho
desbotado
esquecido
Simplesmente lindos os versos de Tetê no Com Camisinha.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Reality da Globo reflete preconceito social
Os meios de comunicação são muito engraçados, pra ser bem polite. Li na coluna 'Outro Canal', assinada pelo jornalista Daniel Castro, na Folha de S. Paulo, que a apresentação de 19 dos 20 candidatos que estarão na disputa pelo prêmio do reality show “No Limite 4”, da Rede Globo, foi atrasada. O motivo? Dos 19, “seis apresentaram problemas de saúde”, afirma o colunista. “Os exames realizados pela Globo revelaram que um deles tem HIV e que outro é cardíaco.”
Sabe o que é engraçado? É que no “Big Brother Brasil 9” uma das participantes tem diabetes. Inclusive, uma das broncas mais famosas do diretor do programa foi vista milhares de vezes no YouTube. Ana usava o alicate de unhas no pé de Naiá quando é ouvida a voz do diretor: “dona Ana Carolina, este é um aviso pra senhora e pra dona Naiá. Esse alicate não está esterilizado. A dona Naiá é diabética. Se esta merda inflamar, eu vou arrancar o seu braço. Então, para de brincar com o alicate”.
Quer dizer, a “emissora exige que os participantes de seus reality shows sejam saudáveis” para poder arrancar o braço deles. Ironias a parte, pode-se argumentar que “No Limite” é um reality no qual os participantes disputam prêmios em provas que exigem muito mais da resistência física do que o “Big Brother Brasil”, que é mais um jogo de estratégias de convivência.
O episódio revela que a Globo reflete o que acontece na sociedade: as empresas fazem o teste de HIV no exame médico admissional e editais de concursos proíbem o ingresso de soropositivos na carreira pública. Ambos são ilegais.
Assim como as empresas públicas ou privadas, a Globo não quer pessoas soropositivas em seu elenco. Mas, a próxima novela das 21h deve trazer, a exemplo de “Páginas da Vida”, depoimentos de pessoas portadoras de deficiência. Aí foram incluídas aquelas que adquiriram a deficiência pós-HIV. Parece que nós, pessoas que vivemos com Aids, somos incluídas apenas quando é para sensibilizar a sociedade. Na hora de nos ajudarem com acesso ao trabalho e a uma vida digna, não somos nada.
Sabe o que é engraçado? É que no “Big Brother Brasil 9” uma das participantes tem diabetes. Inclusive, uma das broncas mais famosas do diretor do programa foi vista milhares de vezes no YouTube. Ana usava o alicate de unhas no pé de Naiá quando é ouvida a voz do diretor: “dona Ana Carolina, este é um aviso pra senhora e pra dona Naiá. Esse alicate não está esterilizado. A dona Naiá é diabética. Se esta merda inflamar, eu vou arrancar o seu braço. Então, para de brincar com o alicate”.
Quer dizer, a “emissora exige que os participantes de seus reality shows sejam saudáveis” para poder arrancar o braço deles. Ironias a parte, pode-se argumentar que “No Limite” é um reality no qual os participantes disputam prêmios em provas que exigem muito mais da resistência física do que o “Big Brother Brasil”, que é mais um jogo de estratégias de convivência.
O episódio revela que a Globo reflete o que acontece na sociedade: as empresas fazem o teste de HIV no exame médico admissional e editais de concursos proíbem o ingresso de soropositivos na carreira pública. Ambos são ilegais.
Assim como as empresas públicas ou privadas, a Globo não quer pessoas soropositivas em seu elenco. Mas, a próxima novela das 21h deve trazer, a exemplo de “Páginas da Vida”, depoimentos de pessoas portadoras de deficiência. Aí foram incluídas aquelas que adquiriram a deficiência pós-HIV. Parece que nós, pessoas que vivemos com Aids, somos incluídas apenas quando é para sensibilizar a sociedade. Na hora de nos ajudarem com acesso ao trabalho e a uma vida digna, não somos nada.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Correio brasileiro entra na luta contra a Aids
O Brasil será um dos primeiros países do mundo a começar uma campanha de prevenção à Aids pelos Correios. A informação, divulgada na manhã desta terça-feira, é do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

É cada vez maior a necessidade de informação sobre HIV/AIDS para toda a população. Ontem mesmo, no Twitter, um jovem brasileiro relacionou os sintomas da Aids àqueles que têm pessoas que, depois de anos sem comer carne, voltam a consumi-la.
Os cartazes, em pdf, estão disponíveis no site do UNAIDS. A campanha é uma iniciativa da União Postal Universal (UPU), do UNAIDS, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e UNI Global. Ainda que os cartazes tenham sido elaborados em português de Portugal, antes mesmo deles serem afixados nas agências brasileiras dos Correios, os textos devem passar por uma pequena reformulação.
Com o slogan “o Correio se preocupa com você. Proteja a si mesmo – use preservativo”, a iniciativa pretende colaborar para os objetivos do milênio, vai dispor cartazes primeiramente nas agências dos correios do Brasil, Burquina Fazo, Camarões, China, Estônia, Mali e Nigéria.
P.S. às 17h36: O escritório do UNAIDS no Brasil informa que a versão brasileira da campanha será lançada em agosto e que irá além dos cartazes para serem afixados nas agências dos Correios. Assim, mais do que uma simples readequação do texto, a campanha para o Brasil deve ser completamente reformulada.
É cada vez maior a necessidade de informação sobre HIV/AIDS para toda a população. Ontem mesmo, no Twitter, um jovem brasileiro relacionou os sintomas da Aids àqueles que têm pessoas que, depois de anos sem comer carne, voltam a consumi-la.
Os cartazes, em pdf, estão disponíveis no site do UNAIDS. A campanha é uma iniciativa da União Postal Universal (UPU), do UNAIDS, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e UNI Global. Ainda que os cartazes tenham sido elaborados em português de Portugal, antes mesmo deles serem afixados nas agências brasileiras dos Correios, os textos devem passar por uma pequena reformulação.
Com o slogan “o Correio se preocupa com você. Proteja a si mesmo – use preservativo”, a iniciativa pretende colaborar para os objetivos do milênio, vai dispor cartazes primeiramente nas agências dos correios do Brasil, Burquina Fazo, Camarões, China, Estônia, Mali e Nigéria.
P.S. às 17h36: O escritório do UNAIDS no Brasil informa que a versão brasileira da campanha será lançada em agosto e que irá além dos cartazes para serem afixados nas agências dos Correios. Assim, mais do que uma simples readequação do texto, a campanha para o Brasil deve ser completamente reformulada.
domingo, 5 de julho de 2009
Estado é corresponsável por atentado a bomba pós Parada Gay
O jornal Folha de São Paulo traz a informação que a cidade, uma das quatro mais populosas do planeta, possui uma câmera para cada 16 habitantes. A matéria foi reproduzida na Folha Online. Segundo a reportagem, os dados “conservadores” são da Abese, associação das empresas de segurança eletrônica. “No momento em que sai de casa, todo mundo já passa a ser gravado. Tudo é possível de ser monitorado”, disse a presidente da entidade Selma Migliori ao repórter.
Pode ser. Mas, se pelo menos uma dessas câmeras, instalada há mais de um ano, estivesse em funcionamento, o atentado a bomba que sofreram participantes da 13ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo – a maior do mundo – teria sido registrado. A câmera instalada e ainda não ligada está bem na esquina do Largo do Arouche com a avenida Vieira de Carvalho, a menos de dez metros de um trailer policial e a poucos metros de onde ocorreu o atentado.
Obviamente que o poder público municipal tem, por inércia e omissão, responsabilidade no atentado, uma vez que, se estivesse em funcionamento, seria infinitamente mais fácil identificar se a bomba foi ou não atirada do edifício do qual se julga ter sido atirado o projétil caseiro. Esta e outras informações já são de conhecimento da polícia, que para não atrapalhar as investigações, ainda não as divulgou.
Homenagem
Dia 2 de junho passado fui homenageado, ao lado de Lula Ramirez e Denise Coelho, em sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo, por termos iniciado as articulações que deram início à maior Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) do mundo. A íntegra da homenagem, texto da amiga e antropóloga Regina Facchini, pode ser lido no portal da Fundação Perseu Abramo.
Proposta pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a homenagem em sessão solene me deixou muito feliz. Mas, como disse no meu agradecimento, ainda falta muito para que nós, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, possamos ser tratados pelo Estado e pela população como cidadãos, consumidores e contribuintes. Afinal, parte da homo e transfobia que assola a sociedade brasileira é que deixa vulneráveis a agressões, mortes e à infecção pelo HIV.
Desculpas
Estive estudando para uma prova que prestei no último dia 29 de junho. Tento entrar em um mestrado. Este foi o principal motivo pelo qual não atualizei o blog no mês passado. Por isso, peço desculpas a leitores e leitoras.
Pode ser. Mas, se pelo menos uma dessas câmeras, instalada há mais de um ano, estivesse em funcionamento, o atentado a bomba que sofreram participantes da 13ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo – a maior do mundo – teria sido registrado. A câmera instalada e ainda não ligada está bem na esquina do Largo do Arouche com a avenida Vieira de Carvalho, a menos de dez metros de um trailer policial e a poucos metros de onde ocorreu o atentado.
Obviamente que o poder público municipal tem, por inércia e omissão, responsabilidade no atentado, uma vez que, se estivesse em funcionamento, seria infinitamente mais fácil identificar se a bomba foi ou não atirada do edifício do qual se julga ter sido atirado o projétil caseiro. Esta e outras informações já são de conhecimento da polícia, que para não atrapalhar as investigações, ainda não as divulgou.
Homenagem
Dia 2 de junho passado fui homenageado, ao lado de Lula Ramirez e Denise Coelho, em sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo, por termos iniciado as articulações que deram início à maior Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) do mundo. A íntegra da homenagem, texto da amiga e antropóloga Regina Facchini, pode ser lido no portal da Fundação Perseu Abramo.
Proposta pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a homenagem em sessão solene me deixou muito feliz. Mas, como disse no meu agradecimento, ainda falta muito para que nós, lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, possamos ser tratados pelo Estado e pela população como cidadãos, consumidores e contribuintes. Afinal, parte da homo e transfobia que assola a sociedade brasileira é que deixa vulneráveis a agressões, mortes e à infecção pelo HIV.
Desculpas
Estive estudando para uma prova que prestei no último dia 29 de junho. Tento entrar em um mestrado. Este foi o principal motivo pelo qual não atualizei o blog no mês passado. Por isso, peço desculpas a leitores e leitoras.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Fobia para além do HIV
No último domingo (17), foi comemorado (lembrado, recordado, celebrado) o Dia Mundial pelos Direitos Sexuais e de Combate à Homofobia. Em alusão à data, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) lançou campanha na América Latina e no Caribe para promover os direitos humanos de homossexuais, transexuais e lésbicas. No Brasil, a campanha foi lançada no dia 14, durante o VI Seminário LGBT no Congresso Nacional, em Brasília. Além do vídeo abaixo, outros cinco vídeos podem ser vistos na página do UNAIDS Brasil no You Tube.
A campanha “Pelos Direitos Sexuais e pela Diversidade Sexual” quer chamar a atenção para os obstáculos que a “homo-lesbo-transfobia” criam para as respostas à epidemia de Aids na América Latina e Caribe. Dados disponíveis sobre o tema demonstrou que a prevalência do HIV varia entre 6 e 20% em homens gays na região, proporção muito maior se comparada com os 0,6% de prevalência de HIV estimados para a população em geral (15 a 49 anos) no Brasil.
A homo-lesbo-transfobia (aversão, ódio, medo, preconceito ou discriminação contra homens ou mulheres homossexuais e também pessoas trans e bissexuais) contribui para o aumento das novas infecções pelo HIV e também para mortes por Aids, uma vez que a discriminação dificulta o acesso à informação sobre prevenção e também afasta essas populações dos serviços de saúde, mesmo que testes e medicamentos sejam disponibilizados pelos governos.
Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, razão pela qual neste dia se realiza o Dia Mundial pelos Direitos Sexuais e de Combate à Homofobia. Foi nesta ocasião que a OMS reconheceu que a orientação sexual não é uma “opção” e que também não se deve tentar modificá-la.
Elaborada pelos Escritórios para América Latina do UNAIDS e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a campanha foi elaborada com o apoio de redes de organizações não-governamentais como a REDLACTRANS (que mobiliza as populações trans da Região), a ASICAL (Associação para a Saúde Integral e Cidadania da América) e a LACCASO (Conselho Latino-Americano e do Caribe de Organizações Não Governamentais com Serviço em HIV/Aids).
Pedro Chequer, Coordenador do UNAIDS no Brasil, responsável pela adaptação da campanha, destacou que a “iniciativa busca dar visibilidade ao tema da discriminação e estigma como um fator acrescido de vulnerabilidade à infecção pelo HIV e estabelecer de modo mais permanente o debate social com vistas ao seu definitivo equacionamento”.
A questão homo-lesbo-transfobia passou sutilmente pelo “Profissão Repórter”, programa do experiente jornalista Caco Barcellos na TV Globo, que coloca jornalistas em começo de profissão em reportagens mais abrangentes. Na última terça-feira (19), com reportagem sobre escolas na periferia de São Paulo, o programa abordou um tema que é tabu no jornalismo. E mostrou uma família ainda inconformada com a morte de um menino de 14 anos que se suicidou por não aguentar mais ser discriminado e chamado de “bicha” na escola.
Atualmente, a escola é a maior referência educacional, uma vez que pais e mães que trabalham durante todo o dia deixaram à instituição e aos professores a tarefa de lapidar os filhos. Neste caso, como em muitos outros, além da escola, a discriminação e o preconceito é um “defeito hereditário”.
Porém, independentemente de “defeito” ou quaisquer outros adjetivos que possam ser dados, os programas de educação sexual nas escolas têm de ser fortalecidos e efetivamente implementados com a urgência que se faz necessária, ou estaremos dando suporte moral a uma nova geração preconceituosa.
A campanha “Pelos Direitos Sexuais e pela Diversidade Sexual” quer chamar a atenção para os obstáculos que a “homo-lesbo-transfobia” criam para as respostas à epidemia de Aids na América Latina e Caribe. Dados disponíveis sobre o tema demonstrou que a prevalência do HIV varia entre 6 e 20% em homens gays na região, proporção muito maior se comparada com os 0,6% de prevalência de HIV estimados para a população em geral (15 a 49 anos) no Brasil.
A homo-lesbo-transfobia (aversão, ódio, medo, preconceito ou discriminação contra homens ou mulheres homossexuais e também pessoas trans e bissexuais) contribui para o aumento das novas infecções pelo HIV e também para mortes por Aids, uma vez que a discriminação dificulta o acesso à informação sobre prevenção e também afasta essas populações dos serviços de saúde, mesmo que testes e medicamentos sejam disponibilizados pelos governos.
Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, razão pela qual neste dia se realiza o Dia Mundial pelos Direitos Sexuais e de Combate à Homofobia. Foi nesta ocasião que a OMS reconheceu que a orientação sexual não é uma “opção” e que também não se deve tentar modificá-la.
Elaborada pelos Escritórios para América Latina do UNAIDS e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a campanha foi elaborada com o apoio de redes de organizações não-governamentais como a REDLACTRANS (que mobiliza as populações trans da Região), a ASICAL (Associação para a Saúde Integral e Cidadania da América) e a LACCASO (Conselho Latino-Americano e do Caribe de Organizações Não Governamentais com Serviço em HIV/Aids).
Pedro Chequer, Coordenador do UNAIDS no Brasil, responsável pela adaptação da campanha, destacou que a “iniciativa busca dar visibilidade ao tema da discriminação e estigma como um fator acrescido de vulnerabilidade à infecção pelo HIV e estabelecer de modo mais permanente o debate social com vistas ao seu definitivo equacionamento”.
A questão homo-lesbo-transfobia passou sutilmente pelo “Profissão Repórter”, programa do experiente jornalista Caco Barcellos na TV Globo, que coloca jornalistas em começo de profissão em reportagens mais abrangentes. Na última terça-feira (19), com reportagem sobre escolas na periferia de São Paulo, o programa abordou um tema que é tabu no jornalismo. E mostrou uma família ainda inconformada com a morte de um menino de 14 anos que se suicidou por não aguentar mais ser discriminado e chamado de “bicha” na escola.
Atualmente, a escola é a maior referência educacional, uma vez que pais e mães que trabalham durante todo o dia deixaram à instituição e aos professores a tarefa de lapidar os filhos. Neste caso, como em muitos outros, além da escola, a discriminação e o preconceito é um “defeito hereditário”.
Porém, independentemente de “defeito” ou quaisquer outros adjetivos que possam ser dados, os programas de educação sexual nas escolas têm de ser fortalecidos e efetivamente implementados com a urgência que se faz necessária, ou estaremos dando suporte moral a uma nova geração preconceituosa.
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