quarta-feira, 29 de abril de 2009

O HIV no banco dos réus

Na semana passada, enquanto os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes batiam boca durante sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), ao vivo para as câmeras da TV Justiça, um despacho do também ministro Marco Aurélio adiou uma discussão cujo veredicto deve caber mesmo à mais elevada corte do país.

(...) 2 (...) à míngua de elementos, não há como examinar o pedido de concessão de medida acauteladora. 3. Oficiem ao Superior Tribunal de Justiça, ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e ao Juízo da Comarca de Cosmópolis/SP, para prestarem informações a respeito dos fatos noticiados na impetração e providenciarem a remessa das peças mencionadas, necessárias ao exame do pedido nela formulado. 4. Ao impetrante, para, querendo, antecipar-se quanto às providências. 5. publiquem.

O despacho foi dado ao pedido de Habeas Corpus impetrado por Marcos Roberto Boni, advogado de J.G.J. “Ele foi denunciado por duas tentativas de homicídio qualificado (artigo 121, parágrafo 2º, II, do Código Penal) e uma tentativa de homicídio (artigo 121, caput), tipificação errônea, segundo seu defensor”, informa notícia publicada no portal do STF.

Para Boni, o acusado deveria ser enquadrado no artigo 131 do Código Penal (“praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio”). O argumento da defesa é embasado no fato de a AIDS não ser mais uma doença mortal, mas crônica.

A questão é polêmica. O ministro Marco Aurélio pediu informações mais consistentes aos tribunais responsáveis pelo processo, adiando a decisão que deve abrir jurisprudência para o julgamento de casos que criminalizam a transmissão do HIV.

O açougueiro J.G.J. teria sido infectado pela mulher, depois dela ter passado por uma transfusão de sangue. Após a morte da esposa, e ciente de sua condição sorológica, ele começou um relacionamento com uma moça e, numa noite, aproveitando que ela dormia profundamente, fez sexo com ela sem preservativos. Ele teria infectado uma segunda mulher um ano depois, depois de algum tempo de relacionamento. E ainda teria tentado infectar uma terceira mulher, que recusou fazer sexo sem preservativos.

Ainda que desprovido de bases jurídicas e aqui sem defender o indefensável sexo sem consentimento do caso em questão, é revoltante ver uma pessoa julgada por não usar preservativo numa relação sexual. Parece que a responsabilidade que todo e qualquer cidadão tem de cuidar da própria saúde é sempre do outro, nunca do “eu” mesmo. Ninguém transa sem camisinha sozinho. Por que determinado cidadão, no caso aquele que tem o HIV, é o único responsável pelo autocuidado de duas pessoas que decidiram, mesmo que não tenham conversado sobre o assunto, fazer sexo sem preservativo?

Se eu tenho responsabilidade, você também tem, ok? Combinamos que eu cuido de mim e você de si. O cidadão tem o direito à saúde. O dever de prover informação, serviços e acesso aos serviços de saúde é do Estado. Artigos 196 a 200 da Constituição Brasileira de 5 de outubro de 1988. E é na ponta que o Estado tem os meios de acolher e vincular o cidadão ao serviço de saúde.

Outra questão é a “espécie” de HIV. Será que são pedidos apenas para comparação os genótipos do HIV instalado tanto no réu quanto na “vítima”? Até quando vamos dividir as coisas e as pessoas em boas e ruins, em algozes e vítimas? Esses exames, até onde sei, confirmariam se o DNA do HIV de um é o mesmo do HIV do outro. Mas nem mesmo isso isenta ninguém da responsabilidade compartilhada.

É uma pena que ainda seja necessário transformar que alguns poucos em algozes e levá-los ao banco dos réus para transferir ao cidadão o que é dever do Estado. E o debate está aberto.

sábado, 4 de abril de 2009

Fórum virtual debate prevenção da AIDS

Começa mais uma iniciativa inédita no Brasil. O Programa Nacional de DST e AIDS (PN-DST/AIDS) do Ministério da Saúde lança nesta segunda-feira (06), o Prevenção na Rede: Fórum Virtual de DST e AIDS, que debaterá com a sociedade, na internet, experiências inovadoras na área de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.

Para a discussão, foi criado um espaço na internet organizado em salas específicas (veja abaixo), nas quais serão debatidos os desafios para o enfrentamento da epidemia. Com a ação inédita, o PN-DST/AIDS “avança na construção de políticas que respondam ao momento atual dessas doenças”. Os debates vão até 29 de abril e o fórum estará aberto para consulta até setembro.

A expectativa é que participem gestores e profissionais de saúde, educadores, ativistas, pesquisadores e demais interessados. Para fazer parte, basta acessar o site do PN-DST/AIDS nesta segunda-feira, dia do lançamento do fórum virtual. O internauta terá acesso a vídeos, artigos científicos, protocolos, diretrizes e outros documentos sobre prevenção e também a troca experiências por todo o Brasil sobre os temas mais desafiadores da prevenção. Entre os destaques da programação, às quartas-feiras, estão previstos bate-papos com especialistas.

“Num cenário de epidemia dinâmica, as estratégias de prevenção precisam ser construídas e reconstruídas ao longo do tempo, respondendo às necessidades dos grupos mais afetados e adotando novos recursos disponíveis”, afirma a diretora do programa, Mariângela Simão.

Ela justifica que “diferentemente dos primeiros anos da AIDS o desafio que está posto hoje é responder a uma epidemia ainda concentrada, mas com a maior parte dos casos por transmissão heterossexual e com um aumento significativo da qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e AIDS”.

O trabalho será concluído no Encontro Nacional sobre Prevenção das DST/Aids, que será realizado 29 de abril e transmitido pela internet. Nesse dia, especialistas em prevenção irão debater com o Programa Nacional, em Brasília, as principais contribuições do fórum. Participantes de todo o Brasil também poderão interagir, enviando comentários. A organização do evento estimula que cada cidade se articule para participar do dia 29 de abril e dar continuidade à discussão no nível local, mesmo depois do encerramento do fórum.

As salas de discussão do Prevenção na Rede: Fórum Virtual de DST e AIDS:
- Informação muda comportamento?
- Tecnologias biomédicas: remediar é prevenir?
- Como o CTA pode ajudar no acesso universal à prevenção?
- Atenção Básica: solução para o acesso universal à prevenção?
- Quebrando tabus: dst/aids é assunto para crianças e jovens?
- Prevenção e religião: conflitos ou contribuições?
- Sexo, prevenção e viver com HIV
- Álcool e outras drogas: prevenção é para os "lúcidos”?
- Acesso ao teste de HIV: onde estão as oportunidades?
- A sociedade civil e o acesso universal à prevenção
- De quem é a decisão de se prevenir?
- DST: como encarar esse problema?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vaticano não sai da Idade Média

“O papa vive no século XXI?”, questionou Alain Fogue, do Movimento Camaronês pelo Acesso aos Tratamentos (MOCPAT). Durante a viagem que fez ontem do Vaticano a Camarões, Bento XVI disse que a AIDS “não pode ser derrotada com a distribuição de preservativos”, mas que “aumenta o problema”.

“Queira ou não, de cada 100 católicos, 99 usam preservativo. O papa deve entender que a carne é fraca! Será que o papa desconhecia, ao chegar a Camarões, que as pessoas soropositivas representam um número importante da população?”, acrescentou o ativista africano, segundo a Agência France Press (AFP).

Eric Chevallier, porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros da França, manifestou a “mais viva inquietação” diante das declarações papais. “Não nos cabe julgar a doutrina da Igreja, mas consideramos que tal proposta põe em risco as políticas de saúde pública e os imperativos de proteção da vida humana”, disse o francês à Rádio e Televisão Portuguesa (RTP).

Mas, por quê o ministério de Negócios Estrangeiros faria uma declaração relacionada à saúde pública? Ora, simplesmente porque, com os 900 milhões de euros nos últimos três anos de contribuição ao Fundo Global de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, a França “é o segundo contribuinte mundial e o primeiro europeu”.

Acostumados com as declarações a respeito da procriação e da sexualidade humanas, ativistas e o governo brasileiro não se pronunciaram. Mas deveriam, pois a próxima visita do pontífice na África será em Angola, país com o qual o Brasil mantém relações de cooperação em questões relacionadas ao HIV/AIDS. Entretanto, o médico sanitarista Pedro Chequer, coordenador do UNAIDS no Brasil classificou as declarações papais de “genocidas”.

“É lamentável que após toda a luta da sociedade para o controle da aids tenhamos uma pregação genocida. Há segmentos que só reconhecem os erros após cinco séculos, só que lidamos com um bem maior que é a vida e não podemos esperar cinco séculos”, afirmou Chequer ao jornal O Estado de São Paulo.

Não é à toa que a Igreja vem, há décadas, perdendo fiéis em todo o mundo. A cada declaração papal a humanidade se depara com uma possível resposta à questão de Fogue: o Vaticano jamais sairá da Idade Média.

sábado, 7 de março de 2009

Mulher, fêmea, feminina

Esperei por uma peça publicitária do Programa Nacional de DST/Aids em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República sobre a questão da saúde sexual e dos direitos reprodutivos das mulheres. Não rolou. Ou não consegui encontrar. Enfim, não achei.

Mas trago aqui duas coisas que transformo em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. A primeira é um vídeo com trecho de especial da Rita Lee nos anos 80, no qual ela canta “Cor de rosa choque”.



O outro, é nota assinada pela Dra. Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST/Aids, que reproduzo abaixo. Vale a pena ler.

Não se esqueça das mulheres que vivem com HIV
O dia 8 de março é um momento de reflexão sobre os direitos das mulheres. Este ano, o Programa Nacional de DST e Aids traz mais um importante tema para debate: a sexualidade das brasileiras que vivem com HIV. Existe na sociedade um senso comum de que a vida sexual e reprodutiva delas acaba após o diagnóstico da doença. É como se, ao receber o resultado positivo, fosse tirado dessas mulheres o seu direito de se relacionar e de ser mãe.

O preconceito é tão forte que se reflete até entre os formadores de opinião. No ano passado, um jornalista em Brasília afirmou em rede nacional que mulheres que sabem que têm aids não deveriam engravidar. A declaração mostra total desconhecimento sobre o tema, nega os avanços científicos nessa área e viola os direitos sexuais e reprodutivos, reconhecidos nacional e internacionalmente como direito humano.

As mulheres que vivem com HIV têm sim o direito de exercer a sua sexualidade e de ter os seus bebês, assim como qualquer outra mulher. O desejo de ter filhos não pode ser um tabu e deve ser discutido nos serviços de saúde. As mulheres precisam ter acesso às informações sobre as formas mais seguras de concepção, sobre os cuidados necessários durante a gestação, o parto e a vida do bebê. Os números mostram que, quando as medidas de prevenção de transmissão vertical são adotadas corretamente, as chances de a criança nascer soropositiva são menores que 1%.

As mulheres que vivem com HIV precisam decidir livremente e com responsabilidade sobre a reprodução. Além disso, mesmo que não desejem ser mães, elas têm o direito de exercer sua sexualidade sem preconceito ou discriminação.

O governo federal garante o tratamento universal para a aids e o acesso ao preservativo nos serviços de saúde. A camisinha contribui para a qualidade de vida dessa geração que convive com o vírus por muito mais tempo do que no início da epidemia. O seu uso é uma demonstração de autocuidado e de respeito com quem se ama.

O desejo do Programa Nacional de DST e Aids é que este Dia Internacional da Mulher seja especial para as brasileiras que vivem com HIV. Que elas possam renovar sonhos, exercendo sua cidadania.

Todos têm o direito de viver plenamente: homens e mulheres, soropositivos ou não.

Mariângela Simão
Diretora do Programa Nacional de DST e Aids

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Bloco da Mulher Madura mantém rima e superficialidade

“Mais de 70% das mulheres acima de 50 anos não usam camisinha”. Com este título, o Ministério da Saúde (MS) e a Secretaria Especial de Politicas para as Mulheres da Presidência da República iniciam o press release sobre o “Bloco da Mulher Madura”, tema da campanha do carnaval 2009 lançada na manhã desta sexta-feira (13) na Cidade do Samba, no Rio de Janeiro. Segundo o material, os dados fazem parte de pesquisa do MS realizada no ano passado. O objetivo é sensibilizar os 72% de mulheres acima dos 50 anos que não usam preservativo nas relações sexuais casuais.



Se a intenção é boa, a realização deixa a desejar. Quando tive oportunidade de expressar minha opinião sobre a campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, calcada no “Clube dos Enta”, fui classificado de mau-humorado pra baixo. Chegaram a dizer que eu não havia gostado porque não compunha mais o GT de Comunicação do Programa Nacional de DST/AIDS etc.

Na avaliação que fiz, disse que a campanha parecia ter sido feita para o carnaval e não para o Dia Mundial, que segundo meu ponto de vista é uma data para celebrar – e não comemorar – a memória das vítimas da AIDS. Hoje, com o lançamento da campanha de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e do HIV para o carnaval de 2009, ratifico meus comentários.

Mudou a presidenta do “Clube dos Enta” e entrou a compostura do “Bloco da Mulher Madura”, o que significa que tanto um vídeo quanto o outro poderiam ser exibidos em quaisquer das únicas datas nas quais as campanhas oficiais são veiculadas.

Como ao contrário da minha avaliação o “Clube dos Enta” foi bem recebido, espero que o “Bloco da Mulher Madura” tenha recepção ainda melhor, maior e que tanto homens quanto mulheres, acima e abaixo dos 50 anos, tenham em mente que o HIV é democrático, pois não escolhe idade, orientação sexual e, muito menos rima.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Camisinha invade carnaval de São Paulo

As camisinhas vão invadir o carnaval 2009 de São Paulo. Estreou na última segunda-feira (09) na Rede São Paulo Saudável – serviços de saúde da cidade que possuem aparelhos de TV –, dois novos vídeos sobre prevenção da infecção pelo vírus HIV no carnaval. Os spots, com menos de um minuto cada um, também são vistos pelos milhões de pessoas que utilizam os ônibus municipais.

Em uma das peças, a mulata Camila Silva, rainha do carnaval paulistano de 2009, explica a telespectadores a importância do uso do preservativo para proteção contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Apesar da mensagem clara, com legendas, a entonação e a pontuação da mulata deixa muito a desejar. Mas o recado é transmitido. Felizmente, a população que deve assistir ao vídeo não deve ter as mesmas exigências que as minhas.


Mas o melhor spot é protagonizado pelo Thobias, presidente da Vai-Vai, escola de samba que, se não me engano, tem o maior número de títulos do carnaval paulistano. Assim como a agremiação, Thobias é uma das personalidades mais respeitadas e tradicionais do carnaval de São Paulo. No vídeo, ele canta um trecho do samba-enredo da escola misturado a uma nova estrofe feita especialmente para a peça de prevenção.


O mais interessante é que os protagonistas dos spots não foram escolhidos do nada. Neste ano, a Vai-Vai levará ao sambódromo paulistano enredo sobre a saúde mundial. Para quem não vai à avenida, como eu, a Rede Globo transmitirá os desfiles do carnaval de São Paulo na sexta-feira (20) e no sábado (21), depois de “Caminho das Índias”.

Está programada para esta sexta-feira (13), o lançamento, no Rio de Janeiro, da campanha de carnaval 2009 do Programa Nacional de DST/AIDS, que depois do “Clube dos Enta”, terá o “Bloco da Mulher Madura” como tema. Assim que eu tiver acesso, farei, como de costume, meus comentários. Estamos no aguardo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Entre as ações e o campanhismo

Em continuidade à Campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS de 2008, que teve como foco a prevenção do HIV em homens heterossexuais com mais de 50 anos e no “Clube dos Enta”, seu apelo central, o Programa Nacional (PN) de DST e AIDS dará prioridade à população feminina na mesma faixa etária e lançará no carnaval de 2009 o “Bloco da Mulher Madura”.

Nota publicada na página do PN-DST/AIDS informa que “a campanha é uma resposta à maior tendência de crescimento da epidemia entre mulheres. Além disso, a mulher nessa idade tem pouco poder de decisão no relacionamento”.

Ainda segundo a nota, os objetivos da campanha são incentivar a mulher a falar de sexualidade e preservativo com seu parceiro sexual, informar sobre as vantagens do uso do gel lubrificante na faixa etária eleita, estimular a busca do prazer na relação, inclusive após a menopausa, e fortalecer a auto-estima feminina para que a mulher possa exercer sua sexualidade.

A justificativa do foco foi embasada nos dados epidemiológicos, que mostram quase o dobro de casos de AIDS na faixa etária e na população priorizada em dez anos (de 7,3 em 96 para 14,5 em 2006) e um significativo aumento de mortalidade (de 5,5 para 6,1) no mesmo período.

Desde o último dia 30 de janeiro, as artes dos materiais gráficos (folheto, cartaz e mobiliário urbano) produzidos pelo Ministério da Saúde são disponibilizadas a estados e municípios brasileiros se solicitadas por correio eletrônico. Além destes, também foram produzidos uma peça publicitária para a TV e outra para o rádio.

O Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo ampliou o foco das ações na cidade. É a população sexualmente ativa que deve ser priorizada, além das mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas e profissionais do sexo. Concordo, afinal não é a mulher quem usa o preservativo, ainda que elas sejam mais sensíveis às questões de saúde sexual do que os homens.

Além das já tradicionais ações de prevenção na rodoviária do Tietê protagonizada pelo Grupo Pela Vidda/SP – apenas apoiada pelo município –, da distribuição de preservativos no sambódromo do Anhembi e nos blocos pré-carnavalescos que tomam a cidade na semana anterior aos festejos de Momo, o programa paulistano tem feito ações em escolas de samba e, no ano passado “invadiu” as torcidas dos três maiores times de futebol da cidade durante seus jogos.

Com mais esta ação, o programa de São Paulo reforça a disposição de atuar na prevenção do HIV em campo que amplia as ações para além das populações com maior vulnerabilidade e mostra que tem paulatinamente incorporado sugestões da sociedade civil para a realização de ações mais periódicas, fugindo da crítica generalizada aos gestores de AIDS no Brasil que privilegiam apenas a produção de campanhas publicitárias para o carnaval e para o Dia Mundial.

Se tivesse poder de decisão, de consulta ou de interferência, teria dito aos idealizadores do “Bloco da Mulher Madura” que é o homem quem precisa ser sensibilizado. Preferencialmente por outro homem, heterossexual e vivendo com HIV. A conversa tem de ser de homem pra homem. Estou sendo machista? Talvez. Mas sinto que não se pode adotar um discurso diferente do que está no inconsciente coletivo. Enfim, o meu é apenas um ponto de vista.